Meia na Areia (Costa da Caparica, 2012)

Hoje fui até à Costa da Caparica para participar, pela primeira vez, na Meia-Maratona na Areia. Esta prova é organizada pel’ O Mundo da Corrida e tem boa fama (“por corredores, para corredores” e essas coisas). Era para lá ter ido em 2011, mas, por alguma razão que agora não me lembro, acabei por não ir. Este ano não quis deixar passar a oportunidade e inscrevi-me atempadamente.

Nunca tinha corrido grande distância em areia de praia. Já tinha feito alguns treinos em que passei alguns metros em areia de praia e já tinha feito algumas corridas em dias de praia, mas acho que nunca tinha feito um quilómetro sequer seguido em areia de praia. Por esta razão, não tinha grandes expectativas e ia lá para ver como era correr em areia.

Chegado à Caparica fui buscar o dorsal. No saco do dorsal vinha uma t-shirt técnica alusiva à prova, o dorsal (feito de um material mais rijo do que o normal) e o chip preso ao dorsal.

O tempo estava agradável e não havia sinal do vento que eu tinha lido que às vezes aparece naquela zona.

Deram o arranque e lá fui eu à descoberta da areia. A partida é feita numa zona em que a areia está seca e muito mexida, o que causou alguma dificuldade de locomoção. O pelotão rapidamente se deslocou para a zona da areia molhada e compacta, e a partir daí as coisas ficaram mais normalizadas.

Já me tinham dito que, como a areia está molhada, a coisa parece estrada mas… era um bocadito para o diferente. Ainda ia no primeiro quilómetro e começa-me a doer a parte da frente da perna. Parecia que o “feedback” que a perna recebia do chão era diferente do costume. Estava a correr à volta de 5m30s/km mas ia em esforço. Até parecia que estava a correr em trilhos.

O pelotão não demorou muito tempo a partir-se aos bocados.

Andei durante muito tempo a correr à volta dos 5:20 / 5:30 (min/km).

Quando estava a chegar aos 10 km, comecei a ver alguns corredores a correr na minha direcção. O engraçado foi que o pessoal estava totalmente espalhado no areal: uns mais junto à água, uns mais para cima. Nunca tinha visto tal coisa numa prova (normalmente, em estrada, as vias encontram-se bem definidas).

Uma coisa muito boa desta prova é a envolvente: azul imenso de um lado, verde do outro lado. No meio estava a areia castanha que era a coisa chata e que impedia a progressão. Em termos de envolvente acho que esta é das provas mais bonitas em que já participei, a par com o Grande Prémio “Fim da Europa” (que este ano não se realizou por razões financeiras).

Passei aos 10 Km com 55 minutos. Apanhei o abastecimento líquido mas nem vi que também lá havia bananas e laranjas (grande falha minha). Depois da marca dos 10 Km ainda se percorreu alguma distância na mesma direcção, até chegar ao ponto de retorno. Para retornar era necessário fazer uma curva para entrar numa zona que implicava entrar na areia mole. Ou seja, estava a tentar curvar em areia mole sem perder velocidade. Não caí mas aquilo foi um bocado atabalhoado.

Voltando a passar na zona dos 10 km lá reparei na fruta e lembrei-me que tinha marmelada no bolso, portanto desatei a comer um cubo. Já há muito tempo que não comia cubos de marmelada durante uma corrida.

Se antes de fazer a primeira metade da prova já tinha notado que o pelotão estava um bocado partido, no regresso a coisa ainda parecia “pior”, com muitos corredores a correr a solo.

Ia olhando para o relógio e estava-me a parecer que o regresso estava a ser ligeiramente mais fácil. Talvez o terreno estivesse melhor, talvez fosse o corpo a pedir mais velocidade. Não sei ao certo. Eu estava a fazer melhores tempos do que na primeira metade, portanto fui passando algumas pessoas. No entanto continuava a ser cansativo progredir naquele terreno.

No abastecimento dos 15 km aconteceu uma coisa meio tola: algumas pessoas ficaram paradas à volta da mesa de abastecimento, o que fez com que fosse preciso parar para conseguir apanhar água.

Um pouco depois passei numa das tendas da organização (acho que era o 5º km) e estava por lá o José Magro que me reconheceu e puxou por mim. Costumo ver o José nas provas, mas normalmente é a correr. Desta vez ele estava de “serviço” à prova.

A certa altura olho em frente e vejo que à minha frente é só areia e banhistas, pelo menos durante uns 50 metros. Mais ao longe via alguns corredores, mas só me passava pela cabeça que “nem pensar que eu consigo apanhar aqueles, a não ser que quebrem imenso”.

Nos 19 km olhei para o relógio: ia abaixo de 1h44m, portanto com algum esforço extra ainda dava para fazer abaixo da 1h55m. Comecei a meter mais algum ritmo. Os dois últimos quilómetros foram os mais rápidos que fiz na prova (do 19º ao 20º em 5:15.5 s e do 20º ao 21º em 5:00.9 s). Neste bloco ainda apanhei alguns corredores (afinal era possível) e pareceu-me que estavam todos em quebra, até porque acho que ninguém tentou sequer aproveitar a (minha) boleia…

Para chegar ao final era necessário voltar a subir para a zona da meta que, como referi anteriormente, era na areia mole. Lá fui subindo e a vontade de sprintar apareceu. Mas como é que se faz um sprint naquela areia maluca? Já estava com dificuldades só para me equilibrar… e lá cruzei a meta, cansado mas satisfeito.

No final o relógio marcava 1h50m40s. Este foi o meu pior tempo numa meia-maratona, mas o facto de ser na areia torna a prova mais difícil do que uma meia de estrada.

Como prémio de participação foi entregue uma caneta alusiva à prova.

Organização

A organização em geral esteve bem e viram-se coisas boas e diferentes:

[+] os dorsais rígidos são muito melhores do que os habituais, que se costumam estragar com a água que cai (relevante para quem os colecciona);

[+] Chip preso ao dorsal, o que facilita a sua devolução no final sem ter de estar a desapertar os sapatos quando já nem há força para os voltar a apertar.

[+] No final da prova havia abastecimentos sólidos e líquidos de vários tipos, com algumas coisas que nunca tinha visto nas outras provas (p.e. muesli e batatas fritas).

Tenho alguns pequenos reparos:

[-] Água em copos – pessoalmente achei que era pouca água. Eu costumo ficar com as garrafas e levar as mesmas e ir bebendo durante algum tempo. O facto de ser em copos largos também não ajudava, pois acabava por sair muita água com o balançar da corrida. Sei que a intenção da organização era evitar garrafas espalhadas pela praia, portanto isto acaba por não me chatear muito.

[-] Pessoal parado nos ponto de abastecimento dos 15 Km a impedir que se chegasse à água. A atitude é das pessoas, mas a organização podia pedir-lhes para terem em conta que estão numa corrida.

No geral o balanço é bastante positivo e é uma prova que espero repetir.

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6 Respostas to “Meia na Areia (Costa da Caparica, 2012)”

  1. Corre como uma menina Says:

    Correr 21 km sobre areia deve ser um desafio interessante. Parabéns!

    Obrigada pelo apoio à minha sub-1hora! Ainda estou muito longe dos teus 45 min aos 10, mas quem sabe um dia! lol 🙂

    Boas corridas!

    • thenewroadrunner Says:

      Olá, obrigado :).

      Se continuares a treinar de forma consistente, ainda vais baixar mais esse tempo. O truque (ou melhor, um dos principais truques) é ser consistente no treino.

      Quando falha a consistência, começamos a perder forma rapidamente. Eu estou neste momento a tentar regressar à “bela” forma que tinha há pouco mais de um ano e que perdi devido a alguns períodos de inactividade extrema, como, por exemplo, 40 dias sem correr no início deste ano…

      Boa sorte :).

  2. Filipe Fidalgo Says:

    Parabéns pela estreia na areia, é uma prova diferente, mas que vale a pena repetir.
    Esquece a questão do pior tempo numa meia maratona, pois bem podem dizer que a areia molhada é uma auto-estrada, que de estrada aquilo não tem nada.

    abraço e boas corridas
    Filipe Fidalgo

    • thenewroadrunner Says:

      Olá Filipe, obrigado pelo comentário.

      Eu não fiquei chateado com o tempo, pois os tempos são sempre relativos e mesmo as provas em estrada podem ser “difíceis” de comparar devido a diferenças de percurso. No entanto, estava à espera de fazer “um pouco” melhor.

      Vi no teu blog o teu tempo nesta corrida: correr 21 km em 1h35m é impressionante, seja lá qual for o terreno. Muito bom.

  3. chimbal Says:

    Descobri o blogue por acaso e gostei bastante. Tem conselhos bons e os relatos da experiência na primeira pessoa são sempre interessantes.

    Eu comecei há pouco trempo a correr.

    Tenho treinado várias vezes por semana e o meu ritmo é de 6m/km ou um pouco mais (e às vezes até menos). Estou numa fase em que quero fazer média de 7Km por treino (44 minutos).

    Vou participar numa corrida de 8 Km dia 2 Junho, em Oeiras e será a minha primeira corrida! 🙂 Vamos ver como corre e se depois penso em aventurar-me para distâncias maiores.

    Para já, meias-maratonas só mesmo em sonhos!

    Abraço e boas corridas!

    LR

  4. chimbal Says:

    Entretanto, comecei o meu blogue em http://www.running–out.blogspot.com! Está convidado a passar por lá, se assim o desejar. Cumprimentos,

    LR

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