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Meia-Maratona da Nazaré (2012)

Novembro 18, 2012

Estive presente na 38ª edição desta que é a mais antiga Meia-Maratona realizada em Portugal (facto que leva a que lhe chamem “a Mãe de todas as meias maratonas”.

Esta foi a prova na qual participei e que implicou um maior deslocamento (e também uma maior despesa, porque passei o fim de semana na Nazaré). Tudo começou quando o meu amigo João resolveu treinar para uma Meia-Maratona e a prova que mais perto estava do final do plano dele era a Meia da Nazaré. Como eu ainda não tinha feito nenhuma Meia-Maratona neste período de treino para a Maratona, decidi juntar-me na viagem até à Nazaré.

Fomos no Sábado para a Nazaré.

A falta de prática nisto das provas já se vai notando e nem me lembrei de meter alfinetes d’ama no saco.
Então lá andámos nós à procura de alguma loja que vendesse tal material, com receio de não arranjar-mos no dia da prova. Lá encontrámos uma loja que os tinha, e onde a vendedora nos disse “hoje e amanhã só se vende é disto“.

À noite fomos buscar os dorsais ao Cine-Teatro, que pelos vistos também é o cinema. E fiquei com ideia que também é o casino. No saco do dorsal vinham alfinetes d’ama… 🙂

A prova

Eu ia à Nazaré para bater o meu record pessoal, porque sentia que estava capaz de o fazer e porque precisava de fazer o melhor tempo possível, para ter uma referência realista para a Maratona. Apontei para um ritmo médio abaixo de 5m10s / km, com os três quilómetros iniciais acima disso para aquecimento e porque já sabia que haveria uma longa subida que começava antes do segundo quilómetro.

Lá cumpri o plano durante os primeiros dois quilómetros, mas mas depois apercebi-me de que o ritmo (perto dos 5:05 por km) estava a sair sem grande esforço. Decidi que ia manter aquele ritmo (um bocado abaixo do que tinha planeado, mas não muito). A certa altura comecei a achar que na segunda parte da prova seria capaz de fazer alguns quilómetros abaixo dos 5m / km.

Fui mantendo o ritmo e os quilómetros foram passado. Fui passando pelas zonas de distribuição de água e, além da água, estavam a dar esponjas molhadas – e nem sequer estavam a ser forretas (deram-me sempre 2 nos vários pontos).

Chegado ao ponto de retorno, por volta dos 12.5 km, e despachada a subida mais complicada da prova, estava na altura de voltar para a Nazaré. Foi aqui que começou o meu embalo para o final, pois aproveitei a descida para ganhar velocidade.

Estava um vento contra muito forte, mas eu estava com força e com vontade.

Aquele vento meio-de-frente, meio-de-lado deve ter estoirado com muita gente. Aos 13 km já se notava que estava muita gente a quebrar e não havia quase ninguém num ritmo que me agradasse e que me fizesse querer ficar com essa pessoa – tirando um senhor ao qual até ofereci uma das esponjas que me deram. Eventualmente esse senhor também começou a ficar para trás, e lá fui eu para outra ilha e assim andei durante um bocado.

Aos 17 km começo a sentir a porra da dor de burro. Nesta altura juntei-me a um pequeno grupo de três atletas e fiquei ali ao pé deles para controlar o meu próprio ritmo enquanto recuperava da dor. Comecei a massajar a zona e passou num instante. Menos um susto, mas estava a começar mais uma subida. Era a segunda passagem no viaduto. Eu continuava com força. Feita a subida, estava na hora de descer e recuperar mais um pouco.

Aos 18 km olhei para o relógio, que marcava 1h30m. Fiz umas contas de cabeça, mas já estava meio baralhado… a brilhante conta foi algo do género:
“1h30 + 4 km, portanto + 20min, portanto 1h50”
achei um bocado estranho, pensei melhor e lá me lembrei que dos 18 para os 21 são 3 e não 4:
“portanto 1h45”
claro que também me estava a esquecer que estava a rolar abaixo dos 5 min/km. Mas 1h45 já era um senhor record, pelo que estava super motivado para manter aquele ritmo.

Tinha agora um “colega” pendurado que estava a usar-me como escudo anti-vento e como reboque. Decidi que me ia embora dali.

Passo pelo chuveiro (sim, havia um par de chuveiros a meio do percurso) penso se “vou ou não vou” e passo ao lado. Não valia a pena, já estava muito perto.

Estava-me a custar muito manter aquele ritmo, já ia de dentes serrados.

Vejo o primeiro balão (o da partida) e recupero algum alento. Falta pouco. Já se via o segundo balão. Já agora aguenta-se o esforço e o record vai ser ainda mais simpático. Chego ao segundo balão e oops, afinal ainda não é aqui. Falta mais um bocado. Relaxo durante uns metros até perceber onde era a meta, para voltar a apertar um pouco depois.

(Ao cruzar a meta levei umas bocas por ter ultrapassado algum pessoal nos últimos metros. Não percebo esta malta.)

Cheguei ao final. O relógio marcava 1h44m09s – um novo record pessoal. Pela primeira vez tinha feito uma Meia-Maratona abaixo da 1h50m. Não só tinha batido o meu RP, como tinha tirado mais de 6 minutos ao tempo anterior (1h50m45s feito em Setembro de 2011).

No saco estava uma medalha, um bonito prato de porcelana alusivo à prova, um bolito regional (bem bom) e mais algumas coisas. Mas é claro que o record foi a melhor prenda que trouxe da Nazaré.

Esperei pelo João e depois fomos para a praia, onde molhei as pernas na água gelada da Nazaré, para tentar apressar a recuperação. Passado um pouco, uma daquelas ondas malucas trouxe-me de volta para a costa…

Passadas umas horas voltámos para Lisboa. Estava bem alegre e com um sentimento de dever cumprido. O meu trabalho dos últimos três meses (na realidade já vão sendo cinco) estava a ser recompensado.

O impacto da prova na população

Uma coisa que me apercebi durante este fim de semana foi o impacto que esta prova tem na economia local. A Nazaré é uma zona turística, à beira-mar, que provavelmente é mais frequentada no verão. Durante este fim de semana vi a Nazaré cheia de gente de fato de treino ou com ténis ultra coloridos. Pareceu-me realmente algo importante para a região, ao contrário de muitas provas (mesmo as mais populares) em que costumo participar. Algo a ter em conta em futuras escolhas de provas.

Deixo já a promessa que, em 2013, repito a visita à “Mãe de todas as Meias-Maratonas em Portugal”. Pode ser que a Mãe me dê outra prenda :).

Para quem estiver na dúvida: vale a pena ir a esta prova, principalmente para quem gosta de provas sem confusão e onde a enfase está na corrida e não na “festa”. Partida sem confusões, pormenores interessantes (chuveiros e esponjas), percurso e cenários variados e até havia sardinhas gratuitas para os corredores (mas era preciso ir à casa do benfica e isso já é pedir demais de mim :p).

Plano de treinos para a 2ª Maratona – 3º mês

Novembro 18, 2012

Chegou ao fim o mês de Outubro. Outubro foi o mês com mais carga do plano.

Nas duas primeiras semanas de Outubro estive de férias, o que facilitou os treinos e, principalmente, o descanso. No entanto, ainda tive necessidade de inventar, tendo feito dois dos treinos longos em segundas-feiras, em vez do Domingo.

As férias ajudaram em muito a recuperação e, a meio de Outubro, já não havia grande cansaço.

Inscrevi-me para a Meia-Maratona da Nazaré, onde pretendo testar a minha forma. Ainda hesitei um pouco antes de me inscrever devido à próxima com a Maratona (30 dias) e devido a isso obrigar-me a alterar o plano: a prova calha entre as duas semanas de treinos acima dos 30 km. Além disso vai ser um desafio recuperar para a prova e recuperar da prova. Pesando os prós e os contras, achei que valia a pena arriscar.

Dados
Período: 1 a 31 de Outubro
Nº de treinos: 18 (de ? planeados)
Distância percorrida: 256 km
Tempo total de treino: 26h14m
Peso: ?