Archive for Dezembro, 2012

Feliz 2013

Dezembro 31, 2012

Desejo a todos um Feliz Ano de 2013.

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São Silvestre da Amadora (2012)

Dezembro 31, 2012

Hoje fui à Amadora para participar pela terceira vez consecutiva nesta prova que “encerra” o ano civil. Acho que esta é a prova na qual tenho mais participações (três). É uma prova que calha bem em termos de data (ajuda a eliminar as calorias em excesso do Ano Novo) e fica perto de casa.

Este ano houve um par de novidades:
A primeira é que estava a chover. A segunda é que mudaram ligeiramente o percurso.

Com tanta chuva nem fui aquecer. Nem eu, nem a malta que estava comigo.

Normalmente esta prova tem muitas pessoas a assistir, quer na rua, quer às janelas. Pensei que com a chuva fosse haver menos público nas ruas, mas depois isso acabou por não se verificar. De todas as provas que fiz, esta é a que tem o melhor apoio popular, sem qualquer dúvida. Não há uma única secção em que não haja apoio.

Saindo do carro, onde estava escondido da chuva e do frio, liguei o meu Garmin: Sinal de bateria fraca. Oops. Tenho quase certeza que o tinha carregado ontem, portanto ou o liguei sem querer, ou então a bateria está mesmo pelas ruas da amargura e vou ter de entrar em despesa em 2013… mas ainda tinha uma barra, e uma barra tipicamente dá para uma horita. Podia ser que desse.

Só nesta altura é que nós percebemos que o percurso ia ser diferente do ano passado, porque o balão da partida estava ao pé do Rangel (nos anos anteriores o arranque foi em frente ao Pingo Doce).

Fomos para lá, sempre com chuva a cair na cabeça. Deram a partida das senhoras e nós continuámos à espera.

Pelo que percebi da conversa do animador, a prova bateu ou esteve perto de bater o record de participantes. Suspeito que a crise fez com que muita gente não tenha viajado nesta passagem de ano, deixando assim o calendário aberto para mais uma corridita.

O pessoal já estava a ficar impaciente… mas lá arrancou a prova. Toca a subir.

Primeiro quilómetro feito em 5:15.1; Nada mal para um quilómetro quase todo a subir e sem aquecimento. Segundo quilómetro feito em 5:17.5;

Pouco depois do 2º quilómetro o meu Garmin apagou-se. E pronto, agora era correr sem referência e ver o que saía dali.

Eu ia com algumas dores nas pernas. Era dor de perna em esforço e não parecia ser muscular. Suspeito que foi mais à conta da falta de aquecimento do que de outra coisa. Outra hipótese era ser por causa dos ténis, que nunca tinha usado em prova, mas com os quais já tinha feito mais de 100 km de treino para a Maratona, portanto já não deveriam causar problemas – a não ser que não sejam grande coisa. Na subida do Lido essas dores nas pernas tornaram-se um pouco mais chatas, mas acabei por subir sem grande dificuldade, embora não tenha sido a melhor subida que fiz daquela rua.

Algures pelo 7º km um rapaz veio contra mim e deu-me uma ligeira carga de ombro. Estava com ar de quem ia cansado, pois não ia com boa postura. Chamei-lhe à atenção, o que resultou neste diálogo:

> Desculpe. É que estou com pressa.
> Estás com pressa para quê? Para fugir da chuva?
> Para acabar a corrida.
> Mas tens de ter cuidado para não provocares uma queda…

(Diálogos “engraçados” a meio da prova.)

Pouco depois cheguei passei na placa do 8º quilómetro e perguntei o tempo a um corredor que ia ao meu lado. Disse-me que ia em 38 minutos. Pensei que ainda era capaz de dar para baixar ligeiramente o tempo do ano passado, pois agora o percurso era maioritariamente a descer.

Esqueci-me foi que o percurso não tinha começado no sítio do costume. Quando cheguei ao Pingo Doce e vi a placa do 9º quilómetro é que percebi que ainda faltava um bocado grande. E lá tive de ir correndo em direcção às Portas de Benfica (ou de Lisboa?), antes de chegar ao ponto retorno (um bocado antes das ditas Portas).

Feito o retorno era só aguentar até à meta.

Cheguei à meta com o relógio oficial a marcar 48 minutos e qualquer coisa. Como não tenho tempo do meu relógio, não sei ao certo qual o tempo líquido, mas estou a suspeitar que não bati o tempo do ano passado. Claramente cheguei à meta menos cansado.

Acabei por ficar satisfeito com a prova, pois o percurso desta corrida não é fácil, e a chuva também não ajudou.

Fiquei com alguma pena por não ficar com o registo electrónico da prova, mas pronto, não se pode ter tudo. Fica aqui uma imagem que mostra o que o Garmin conseguiu captar:

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Bom Natal

Dezembro 24, 2012

Os meus votos de um Bom Natal para todos…

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(Se o Pai Natal fosse corredor…)

Maratona Seaside de Lisboa (2012)

Dezembro 9, 2012

Hoje era dia M, de Maratona. Era dia de correr 42.165 metros. E era dia de ir atrás das infames quatro horas nesta distância mítica.

A estratégia

A minha estratégia era simples:

  • Para bater as 4 horas tinha de correr, em média, a um ritmo mínimo de 5m41s / km.
  • Como a prova tem um final difícil (Almirante Reis) iria fazer os primeiros 5 km a um ritmo ligeiramente mais lento (à volta de 5:51 por km) para evitar gasto energético elevado (para ter reservas para atacar a Almirante Reis) e para poder aquecer devidamente “a máquina”.
  • Depois do 5º km começaria a recuperar terreno, baixando progressivamente o ritmo, mas evitando baixar dos 5m36s / km. Nota: os 5m36s foram recomendação de uma pessoa experiente, com base no meu recente tempo à Meia-Maratona.
  • Desta forma teria de fazer a maioria do percurso abaixo de 5m39s, de forma a obter a média referida.

Era a minha segunda participação nesta prova, pelo que já conhecia o percurso.

A incógnita aqui era a Almirante Reis. No ano passado cheguei muito bem à Almirante Reis porque tinha feito a corrida quase toda de forma muito conservadora. Este ano não podia ser tão conservador, pois queria mesmo bater o relógio.

Eu estava convencido de que iria conseguir seguir a estratégia, pelo menos até à Almirante Reis. Se quebrasse na Almirante Reis podia não conseguir o ritmo médio alvejado.

A coisa correu mais ou menos assim, embora em algumas zonas tenha saído significativamente dos ritmos alvo.

A prova

O Estádio Primeiro de Maio estava cheio de pessoal. Não sei o que é que aconteceu, mas havia muito mais gente do que no ano passado. Principalmente estrangeiros, que são bem-vindos porque vêm cá deixar os seus euros e dólares que tanta falta nos fazem (sim, as senhoras loirinhas de olhos azuis embelezam a capital, mas a gente precisa é de euros :)).

Nos bolsos tinha o material da minha estratégia de abastecimento: 4 pacotes de gel de pêra e 3 cubos de Marmelada. Também tinha um telemóvel.

Antes da prova começar estava um pouco nervoso, mas isso passou assim que cruzei a linha da partida.

Comecei um pouco mais lento do que o previsto. Não estava fácil correr pois havia muita gente em prova e ainda demorou um pouco a abrir uma clareira.

Ainda durante o primeiro quilómetro passei por um rapaz que estava a fazer a prova em cadeira de rodas e que, na subida, estava a ser ajudado por alguns corredores. Pelo que percebi havia ali um grupo de três ou quatro pessoas que estavam a fazer a Maratona para ajudar o rapaz. Cruzei-me várias vezes com este grupo durante a prova e achei bastante interessante: não é fácil correr uma Maratona e é de louvar que alguém se disponha a correr a distância mítica para ajudar outra pessoa.

Sair da zona de conforto

Os cinco primeiros quilómetros foram feitos a um ritmo calmo, tendo inclusivamente feito dois quilómetros acima de 6:00 (6:02 e 6:06). O ritmo médio estava à volta dos 5:52, que era 11 segundos acima do médio. Estava na hora de começar a correr ligeiramente mais rápido e de começar a aproximar-me do ritmo pretendido. E assim foi.

Durante estes primeiros quilómetros notei uma pequena dôr na coxa direita, e estava preocupado que isso pudesse vir a dar trabalho mais à frente. Era uma dôr já tinha tido em alguns treinos. A certa altura passou e não me chateou mais :).

Por volta do 13º km tive de fazer uma paragem para ir ao WC (à custa da água que já tinha bebido). Curiosamente fui ao WC no mesmo sítio onde tinha ido no ano passado. Ir ao WC significa perder tempo, mas a decisão era fácil: ou ia ao WC, ou tinha de lidar com o desconforto durante mais 30 km. Nesta ida ao WC perdi uns 20 ou 30 segundos – como foi numa rua em descida, acabou por não ter grande impacto no tempo do quilómetro.

Um pouco mais à frente, ao 15º km e já em Sete Rios, apareceu mais uma subida semi-longa, seguida de outra descida que nos levou para a rua do El Corte Inglés, onde nos apareceu mais uma subida… Enfim, é Lisboa :).

Aproveitei a descida desde o El Corte Inglés até ao Terreiro do Paço para recuperar algum tempo e fiz dois quilómetros a 5:27. Tive de me conter um bocado, porque as descidas são enganadoras e é fácil gastar energia sem se dar por isso. Ainda assim, achei que os 5:27 já eram abusar da sorte…

A recta

Lá cheguei ao Terreiro do Paço. Era altura de acalmar o ritmo e voltar para o intervalo de segurança (5:36 – 5:41).

Eu estava constantemente a olhar para o relógio para perceber se o Ritmo Médio estava a baixar. A cerca altura já ia em 5:43, o que significava que já tinha recuperado significativamente do início mais lento.

Eu quase sempre que olhava para o relógio via que estava a correr o quilómetro actual a 5:38 mas, curiosamente, há muito poucos parciais com 5:38 no registo que o relógio fez. Se calhar estava a sonhar. Na cabeça ia a dúvida sobre se conseguiria manter aquilo ritmo até ao final.

Lá passei na zona em que começa a Meia-Maratona (ainda me lembro de, em 2010, estar nesta zona à espera da partida para a minha primeira Meia-Maratona e de ver passar o pessoal da Maratona e de ter achado as passadas daquela malta impressionantes) e aquilo ainda estava cheio de pessoal que lá estava para a estafeta.

Ao quilómetro 23 cruzei-me com o meu amigo Tiago, que me foi dar dois cubos de marmelada (os bolsos são limitados e não cabia lá tudo) que eu iria usar durante a segunda metade da prova. Tinha dito ao Tiago que ia chegar ao pé dele entre as 11:08 e as 11:15, e passei à volta das 11:12 e qualquer coisa. A coisa estava a correr bem e ainda me sentia em boas condições mas a parte chata da Maratona ainda estava para começar.

Continuo em direcção a Algés e, a certa altura, oiço alguém a gritar o meu nome. Era o Nuno, que estava no outro lado da estrada, de bicicleta, a deslocar-se para o local onde iria esperar por mim para me ajudar nos quilómetros finais. O rapaz fez uma tal baralheira que devem ter ficado a achar que ia maluco :).

Esta parte do percurso é um bocado chata e longa, mas era a parte onde era essencial que eu conseguisse correr abaixo do ritmo alvo, para poder compensar o início mais lento. Ia olhando para o pessoal que corria na direcção contrária, tentando encontrar alguns amigos e conhecidos que vinham na Meia-Maratona. Acabei por não conseguir ver ninguém, ao contrário do ano passado…

A certa altura escorreguei no chão molhado de uma zona de abastecimento e ia caindo (cheguei a tocar com uma mão no chão). Fiquei com umas dores no braço e no dedo grande do pé direito (!) e isso deixou-me um pouco preocupado. Também fiquei um pouco irritado, pois tinha perdido ali alguns segundos e, principalmente, tinha saído do meu ritmo. As dores no braço foram passando, mas o dedo tinha ficado tocado suficiente para causar algum desconforto.

Eu continuava a manter o ritmo e a olhar para o relógio. A certa altura aquilo marcava 5:42 de ritmo médio. Estava quase a entrar no ritmo médio que permitia acabar a Maratona abaixo das 4 horas, mas ainda não estava lá e já tinha corrido vários km abaixo do ritmo desejado. Estariam as minhas expectativas desajustadas? Tinha feito mal as contas?

A companhia

Tal como no ano passado, recrutei o Nuno para me ajudar nos últimos quilómetros da Maratona. Desta vez ele juntou-se a mim perto do 29º km.

Expliquei-lhe a estratégia que estava a seguir e disse-lhe que precisava de continuar a correr abaixo de 5:39 / 5:38 para conseguir baixar o ritmo médio e acabar aquilo bem.

Ali por volta dos 30º km já se começavam a notar algumas quebras no pessoal. Isso acaba por dar algum alento a quem ainda vai bem.

O Nuno perguntou-me como estava o Ritmo Cardíaco e disse-lhe que este ano tinha decidido não ligar ao RC. Estava a fazer a prova usando apenas o ritmo de corrida como referência. Acho que só olhei para o RC uma vez durante a prova toda (até me lembro que marcava 146 bpm na descida do ECI para o Marquês).

Ali por volta do 32º ou 33º comecei a notar alguma dificuldade em manter o ritmo. Tinha de puxar mais pela “máquina” para me conseguir manter naquela zona alvo. Mas ainda conseguia correr normalmente e conseguia falar.

Um pouco antes de chegar à Almirante Reis, o relógio marcou 5:39 (ou 5:40, já nem sei) como ritmo médio. Fiquei contente e esperançado mas, como ainda faltava subir aquilo tudo, ainda não tinha certeza que fosse conseguir as quatro horas. Se mantivesse o ritmo ia conseguir, mas se quebrasse podia desperdiçar quatro meses de trabalho.

A Almirante Reis

Não sei o que se passou mas, a certa altura, já estava em piloto automático e comecei a correr mais rápido. Enquanto subia a Almirante Reis, à qual tinha chegado com 35 km nas pernas. O Nuno chamou à atenção que estávamos a fazer como no ano passado e que estávamos a passar montes de gente.

Apesar dos receios, a Almirante Reis correu-me bem. No entanto custou-me muito, porque ia com as pernas muito cansadas e foi físicamente e psicológicamente exigente manter (ou melhor, acelerar) o ritmo durante aquela subida toda. O meu cérebro deve ter passado para as pernas… Foram várias as vezes em que me vieram lágrimas aos olhos (não estava em sofrimento, mas estava em esforço e um pouco emocionado por perceber que o treino ia dar dividendos). Fiz, durante a subida da Almirante Reis, 2 dos 3 quilómetros mais rápidos de hoje. O apoio do Nuno foi muito importante nesta fase, porque permitiu tirar um bocado a cabeça do desconforto.

Ainda durante a subida ainda tive algumas dores e ameaços de caimbras (que me iam assustando) mas nada que me obrigasse a baixar o ritmo (pelo contrário).

A certa altura o relógio começou a marcar 5:37 de ritmo médio e foi aí que me apercebi que ia conseguir bater as 4 horas com margem. Chegado ao Areeiro ainda tomei o último gel (não sei se terá tido algum efeito… mas estava no bolso, portanto siga) e a partir dali já estava feita :).

O Nuno deixou-me um pouco depois, antes da descida da Av. dos EUA. Ali já estava super feita, era só aproveitar a descida para embalar para o final. À entrada do estádio ainda escorreguei ligeiramente, o que fez com que outra caimbra aparecesse mas era só mais uma ameaça. Vieram-me novamente lágrimas aos olhos enquanto me deslocava para o tartan. Quando entrei no tartan e olhei para o relógio, vi que estava nas 3h57m…

Quando cruzei a meta e parei comecei a ter caimbras em vários músculos das pernas. Ainda bem que a Maratona são só 42165 metros…

Consegui bater as 4 horas. Fiz a prova em 3h57m47s. É o meu novo record pessoal na distância da Maratona. É uma bela prenda de Natal antecipada :).

Quando cheguei ao carro e me sentei, tive uma caimba que me obrigou a sair do carro para alongar os músculos. A minha boleia fez o seguinte comentário “Para que é que é preciso correr 40 km? Não chegam 20?”. Eu nem tentei explicar…

Parciais do Garmin:

  • 10 km – 58m43s
  • 21 km (HM) – 2h01m (+ -)
  • 30 km – 2h51m11s
  • 40 km – 3h47m (+ -)
  • 42.165 m – 3h57m47s

Fiz um parcial negativo de cerca de 3 minutos.

Em 2011 tinha feito esta prova em 4h12m32s, o que significa que o novo record são menos 12m45s.

Eu gosto muito deste percurso e gostaria de melhorar mais o meu tempo no mesmo. Infelizmente, pelo que li recentemente, este terá sido o último ano que a prova teve este percurso. A prova foi adquirida e o percurso previsto para o próximo ano será praticamente todo à beira-mar.

Tenho pena que mudem o percurso, pois acho que é muito desafiante – não só pela Almirante Reis, mas pelo perfil de sobe-e-desce que torna difícil uma “temporização equilibrada”. Percebo que o percurso actual não é grande chamariz para os estrangeiros que querem é provas para bater records, mas Lisboa é sobe e desce. Uma Maratona de Lisboa sem colinas não é uma Maratona de Lisboa :).

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Uma nota sobre o treino

Como já tinha dito no post sobre o treino feito em Agosto,
uma das dificuldades do plano era o treino em RM ao Sábado, seguido de um treino longo ao Domingo. Isto fazia com que o treino de Domingo fosse difícil devido às pernas cansadas do treino mais rápido de Sábado. Ao subir a Almirante Reis lembrei-me desses dias em que o treino de Domingo era mais lento do que o planeado (que já era lento por concepção) pois, em termos de resposta ao cansaço, parecia que estava num desses treinos (embora com muito mais esforço, porque estava a correr muito mais depressa).

Outra coisa que o plano recomendava (e que fui fazendo) eram as ocasionais “fast finish long runs“, nas quais o último 1/4 da distância (supostamente – nem sempre fiz tanto) era feito a um ritmo mais rápido do que os 3/4 anteriores, também para treinar a capacidade de correr depressa com as pernas cansadas.

Estou plenamente satisfeito com a escolha de plano para o resultado desejado e efectivamente fiquei preparado para “correr rápido com as pernas cansadas”. Embora não tenha seguido o plano a 100% e apesar de ter feito algumas modificações (essencialmente para adicionar distância) segui o espírito (filosofia?) do mesmo à risca.

Para terminar, deixo os meus parabéns a todos os que se estrearam nesta prova e que entraram na categoria de Maratonistas 🙂 e um agradecimento ao Tiago e ao Nuno pela disponibilidade para irem para o frio a um Domingo de manhã para me ajudarem a alcançar o objectivo.

Reflexões pré-Maratona (2ª versão)

Dezembro 8, 2012

Em geral não faço fazer posts a antecipar uma prova, mas a Maratona tem algo de especial. Não é à toa que tenho andado com um nervoso miudinho (que tem aumentado de dia para dia).

Lembro-me que no ano passado, quando comecei o plano para preparar a minha estreia na distância, cheguei a comentar com algumas pessoas, em jeito de brincadeira, coisas do género “já só faltam 68 treinos” (após o primeiro treino) e de ter continuado com isso durante alguns dias (penso que o fiz, pelo menos, até ao 5º treino). Eu nunca tinha seguido um plano de treinos de corrida, e a ideia de seguir um plano de treino de 18 semanas não era fácil de encaixar.

Uma das coisas que torna a Maratona interessante é que o próprio treino é um desafio por si só. É um desafio porque não é fácil manter o foco em algo que não deixa de ser um hobbie (ou seja, não dá dinheiro) mas que exige um compromisso ao nível de uma profissão ou trabalho (embora algumas faltas ao plano tenham pouco impacto, ao contrário de algumas faltas ao trabalho).

É um desafio grande porque exige muita disponibilidade física e também muita motivação e disponibilidade mental, porque durante 18 semanas há muita coisa que pode correr mal e que pode atrapalhar a preparação. Coisas como pequenas lesões, dificuldades em manter um horário, às vezes está muito calor, outras vezes é a chuva que não dá descanso, e às vezes está muito frio.

Também é um desafio porque condiciona o tempo livre do atleta. Em geral é preciso descansar mais e às vezes é preciso ir dormir mais cedo, para poder ir fazer aquele treino que apenas se consegue encaixar às cinco da manhã. Tudo isto tem um impacto na nossa vida e é preciso não vacilar.

E, apesar de todo o esforço para tentar seguir o plano, às vezes é preciso ter cabeça fria para decidir cortar um treino quando pura e simplesmente se está demasiado cansado e fazer esse treino era arriscar uma lesão.

Este ano nunca me passou pela cabeça que poderia não conseguir fazer o plano. Nunca duvidei que conseguiria cumprir a maioria do plano, mesmo tendo em conta que estaria a seguir um plano de cinco treinos por semana (ao contrário do plano do ano passado, que apenas definia quatro dias de corrida).

Conseguir seguir o plano (ou uma percentagem grande dele) é algo que já deve encher de orgulho qualquer Maratonista-em-preparação. Claro que isso não chega. Não ando a treinar pelo treino, mas sim para chegar ao “dia M” e conseguir concluir a prova (e, quem sabe, atingir uma determinada marca).

Costuma-se dizer que a grande dificuldade da Maratona está na preparação. Mas não é só nisso que ela está – e digo isto do alto da minha experiência de 1 Maratona concluída :).

Muito daquilo que faz a Maratona está na execução, ou seja, na forma como o atleta coloca em campo a sua estratégia (ritmo, alimentação, etc.) no dia da corrida. E essa é outra das coisas que dá interesse à Maratona – é preciso abordar a prova com cabeça, porque estoirar numa Maratona não é o mesmo que estoirar numa Meia-Maratona.

Este Domingo vou a Lisboa com o objectivo de baixar as 4 horas na distância mítica. Fiz o meu papel em termos de treino. A estratégia está pensada, os ritmos mínimo e máximo estão escolhidos. Já tenho o dorsal. Falta executar.

O Treino…

Ficam aqui alguns números para dar ideia do meu envolvimento com este plano:

  • Contagem: 76 Actividades
  • Distância: 948.13 km
  • Hora: 96:39:35 h:m:s
  • Ganho de elevação: 9,421 m
  • Veloc. média: 9.8 km/h

Foram mais de 900 quilómetros e mais de 95 horas de corrida. Fiz o meu papel.

E aqui fica uma tabela que compara o treino deste ano com o do ano passado:

treinos-2011-2012

Boa sorte a todos os que vão correr no Domingo.

Plano de treinos para a 2ª Maratona – 4º mês (e mais qualquer coisa)

Dezembro 6, 2012

Passou-se o mês de Novembro e alguns dias de Dezembro, deste plano de dezoito semanas que decidi seguir para preparar a minha segunda participação na Maratona de Lisboa.

Este mês foi o mês dos super longos, tendo ido duas vezes acima dos 30 km (um de 32 e outro de 35), ambos feitos passando pela Matinha de Queluz quando as pernas já iam cansadas, para as preparar para subidas ao final de muitos quilómetros (porque será?). Também foi o mês em que bati o meu melhor tempo na distância da Meia-Maratona – uma pequena/grande recompensa para os vários meses de treino que já levo nas pernas.

Nos treinos mais longos descobri que a bateria do meu Garmin está a ficar com pouca capacidade de carga. Com cerca de 3 horas o relógio começa-se a queixar de falta de bateria. No treino mais longo (cerca de 3h40m) ele não chegou a ficar sem carga, mas como estou a apontar para uma Maratona perto das 4 horas, fiquei um pouco preocupado / chateado – a verdade é que tenho alguma dependência do 305 e tenho dificuldade em ter uma noção aproximada do ritmo a que foi se não tiver o relógio.

Como nos últimos tempos não tenho andado a fazer treinos acima das 3 horas, só me apercebi desta situação precisamente no mês em que o relógio fez dois anos, ou seja, a garantia já tinha acabado. Estive a ver opções para resolver este meu problema (ainda não foi desta que comprei o 610) e pedi a um rapaz engenhocas para me fazer um carregador de emergência (obrigado, Victor). No entanto, acabei por decidir levar um Garmin emprestado (obrigado, João) porque é mais cómodo do que levar o carregador e a pilha durante a prova.

O plano de treinos está praticamente concluído.

Entretanto entrei na fase de “descompressão” (penso que é essa a tradução adequada de tapering) e nestas últimas duas semanas tenho vindo a fazer cada vez menos distância e menos treinos. Nesta altura treino para manter e apurar a forma, e recuperar os músculos. Com muito cuidado para evitar lesões.

Uma das dificuldades que tenho tido neste período é manter o peso. Há conjunto de hábitos alimentares que resultam de necessidades associadas a um volume grande de treinos, volume esse que baixa de repente e nem sempre é fácil diminuir aquilo que se come. É um aspecto a melhorar no próximo ciclo de treino.

Neste momento faltam-me apenas dois treinos: um que era para ter feito hoje, mas estava um temporal desgraçado e resolvi não arriscar – vou ver se o faço amanhã de manhã. O outro treino, de apenas 3 km, é suposto ser feito no Sábado, mas prefiro não correr no dia anterior à Maratona.

Posteriormente farei um resumo global do treino.

Dados

  • Período: 1 de Novembro a 7 de Dezembro
  • Nº de treinos: 21 (17 + 4)
  • Distância percorrida: 277 km
  • Tempo total de treino: 27h48m