Archive for Outubro, 2014

Reflexões pré-Maratona (o regresso)

Outubro 31, 2014

Este ano decidi voltar a abordar a distância mítica da Maratona. E decidi ir fazê-la no Porto. Já li coisas positivas acerca desta prova e achei que era uma boa forma de conhecer a cidade do Porto, onde já não vou há muitos anos.

Esta vai ser a minha terceira participação numa prova com a distância dos 42.165 metros, depois de ter feito a (antiga) Maratona de Lisboa em 2011 e em 2012.

Nestes últimos dias que antecedem a prova, aparece-me sempre uma pequeno nervosismo. Estou preparado? Se não estou, também não é agora que fico. Bato o meu record? Se não bato, para que serviu o treino?

Nesta altura, só dá Maratona. Leio artigos e fóruns sobre corrida. Identifico-me com algumas coisas, outras fazem-me concluir que há por aí uns quantos doidos. A alguns dou os parabéns, pela sua estreia, ou pelo seu novo record pessoal. Ao mesmo tempo, penso na estratégia de temporização que irei aplicar no Domingo, o que me ajuda a controlar os nervos. Preparar estes pormenores dá-me confiança.

Tal como me dá confiança saber que fiz o trabalho de casa.

Da mesma forma que em 2012 fiz um plano de treino mais exigente do que em 2011 (+175 km), este ano fui um pouco mais longe do que em 2012 (+ 185 km). O resultado disto foram mais de mil quilómetros em treino, feitos em quatro meses. Claro que nunca tinha corrido tanto… e pelo menos esse record já bati :).

Aqui fica a tabela comparativa entre os vários anos:

treinos-maratona-2011-2012-2014

Claro que nunca se sabe bem o que vai sair de uma Maratona. Por causa disto, tenho alguma flexibilidade em termos de objectivos:

O meu objectivo principal é acabar a prova bem, e sempre a correr (excepto uma eventual ida ao WC). Depois disso, espero bater o meu record pessoal (3h57m47s).

Se fizer um tempo entre as 3h50 e as 3h55, fico satisfeito. Mas simpático mesmo, era bater as 3h50m :). No Domingo veremos.

Entretanto, vou ouvindo música para descontrair… começando com uma mensagem do rei Bob Marley.

Para terminar, deixo os meus votos de uma excelente prova a todos os que vão percorrer a distância mítica, este Domingo, no Porto.

Novamente uma lebre

Outubro 5, 2014

Há cerca de um ano atrás fui fazer de Lebre, na estreia como Maratonista do Rudolfo na (nova) Maratona de Lisboa. Este ano voltei a fazer parte deste mesmo percurso, com o o Valter, que é um dos meus companheiros regulares de treino (e um dos membros dos EQ, dos quais já aqui falei).

O Valter já me tinha dito várias vezes que queria experimentar fazer um treino à volta dos 30 km, e eu tinha um de 32 km planeado, numa data em que o Valter estava disponível, pelo que resolvemos fazer o percurso Jamor -> Ponte 25 de Abril -> Jamor -> Baleia -> Jamor. Neste treino teríamos a companhia do resto dos EQ em parte do percurso, e depois ia-mos à nossa vida.

Ao deslocar-me para o início desse treino, fiquei a saber, por intermédio dos restantes EQ, que alguém tinha oferecido ao Valter um dorsal para a Maratona de Lisboa. Havia portanto a possibilidade de o Valter ir à prova. Acontece que estávamos a sete dias da mesma. Ofereci-me logo para fazer de lebre, caso ele lá fosse. No dia da prova, eu tinha de fazer 21 km, portanto até calhava bem.

Na quarta-feira seguinte, a quatro dias da prova, o Valter ainda não sabia ao certo se ia à prova, porque ainda não lhe tinham dado o dorsal. Mas, na quinta-feira, já tinha a confirmação.

Aquele longo que era para experimentar a distância, acabou por ser o único longo do Valter, na preparação para a Maratona de Lisboa.

A meio da semana, falei com o Rudolfo, e contei-lhe a história. O Rudolfo decidiu que se ia juntar a nós aos 30 km, para dar também ele uma ajuda (talvez para equilibrar o karma (de lebre) relativo ao ano passado :p), e para participar naquela festa.

No dia da prova, esperei pelo Valter na marca dos 21 Km. O Valter chegou ao pé de mim com boa cara, e dentro do intervalo de tempo que tinha planeado. Estava a cumprir o ritmo que tinha decidido fazer (5m45s / km).

E lá fomos nós, até à zona da Expo, apanhando o Rudolfo no Cais do Sodré.

A prova ficou feita em 4h09m e mais qualquer coisa, o que resultou num ritmo um pouco mais lento do que o objectivo inicial. Nada mau, especialmente para quem não fez treino especifico praticamente nenhum.

Eu tinha algum receio que o Valter fosse estoirar, pela falta de treino específico, mas isso não aconteceu. Teve alguma quebra após dos 30 km, mas isso é normal e esperado. De resto, ainda fez o último quilómetro bem abaixo da média.

Uma coisa me parece que ajudou o muito foi a atitude super positiva com que abordou o desafio. Nunca transpareceu nervosismo ou duvida em relação a conseguir fazer a prova, apesar de não ter feito treino específico. Estes exemplos são bons, porque ajudam a desmistificar a distância, que não é nenhum papão.

Claro que esta prova do Valter só foi possível porque a forma física estava lá e porque o ritmo escolhido estava perto do apropriado. O Valter treina regularmente. Simplesmente não seguiu um plano específico e apenas fez um longo. Se tivesse feito mais longos, provavelmente tinha-se chegado um pouco mais às 4 horas.

Mas a atitude também faz a diferença e o excesso de conservadorismo acaba por causar barreiras. Há metas e records que não se alcançam com excesso de conservadorismo. Algures no tempo, é preciso arriscar. Eu próprio tenho de ter isto mais presente :).