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Meia-Maratona dos Descobrimentos (2014)

Dezembro 9, 2014

Há um ano atrás, tinha feito nesta prova o meu melhor tempo de sempre numa Meia-Maratona.

Esta prova é muito rápida (mais de 18 km em linha) e excelente para bater records. Só há um quilómetro a subir e esse quilómetro é compensado por outro a descer.

Estava a apontar para 1h42m, calculados com base no meu tempo da Maratona do Porto, no mês passado. Fazer uma hora e quarenta e dois minutos numa Meia-Maratona, implica correr a 4 min e 50 por quilómetro.

Eu passei a semana anterior no Canadá, a trabalhar, e regressei no Sábado. Ainda estava um bocado cansado da viagem e com o sono meio trocado, pelo que, sinceramente, não me apetecia correr. Como estava inscrito, e como tinha a fezada de que ia bater o meu record, fui à prova. Saí de casa a correr e apenas comi uma maça, o que se revelou um grande burrada (já aqui volto) para quem normalmente come um croissant misto antes das provas.

Adiante.

Antes do arranque, o Rudolfo começou a demonstrar algum interesse em ir atrás da 1h45m. Começou a fazer contas e viu que 1h45 são 5 min por quilómetro, e não parecia intimidado com isso. Um bocadinho antes do arranque, disse-lhe para vir comigo, que fazía-mos 1h45 de certeza. Não gosto muito de decidir estas cenas na hora de arranque, mas acabou por ser uma boa ideia.

Fizemos os dois primeiros a um ritmo mais calmo, e depois começámos a baixar para os 4m50s. Quilómetro após quilómetro, estavamos a correr ligeiramente abaixo do alvo, o que estava a baixar o ritmo médio de forma consistente.

A certa altura deram-me um gel, que eu estava a evitar consumir, porque não conheço a marca, e não queria inventar em prova. Mas a verdade é que já me estava a faltar um bocado de força, apesar de o ritmo se estar a manter mais ou menos constante.

Um bocado antes do ponto de retorno, virei-me para o Rudolfo e disse-lhe “ou vais mandar um grande estoiro, ou estás em grande forma“.

Eu estava em linha para os meus 1h42m. O Rudolfo estava em linha para uma super melhoria, pois o record dele era cerca de 1h58m. Era preciso era chegar ao final.

Eu aqui já estava a sentir a quebra da falta de pequeno almoço, apesar de continuar com um ritmo consistente. Mandei o Rudolfo embora várias vezes, porque me parecia que ele se estava a conter, mas ele disse-me que não estava assim tão bem, e ficou por ali. Combinámos que aos 18 km ele se ia embora, mesmo que eu não conseguisse acompanhar.

Ali entre os 13 e os 14 km, tive mesmo de tirar o gel do bolso. Comi-o. Passados uns minutos, já estava com mais ânimo – resta saber se foi por causa do gel ou do efeito placebo.

Os quilómetros continuam a passar rapidamente e lá chegámos à marca do 18º. Olhei para o relógio e vi que a 1h42m estava feita. Agora era tentar melhorar. Ainda consegui acelerar, tendo feito um dos ultimos quilómetros a 4m31s – o mais rápido desta prova.

Acabei a prova com 1h41m34s.

Curiosamente esta prova acabou por ser muito semelhante à de 2013, na qual fiz uma boa equipa com o Valter. Sem a ajuda do Rudolfo, provavelmente não teria feito este tempo.

O Rudolfo não só não estoirou, como tirou cerca de 15 minutos ao seu melhor tempo. Muito bom. A demonstrar que o treino, feito com cabeça, compensa.

Prova

A prova melhorou em relação ao ano passado: desta vez tinham vários abastecimentos sólidos (gel, marmelada, mel), que era algo que tinha faltado no ano passado.

Corrida dos Sinos (Mafra)

Abril 8, 2014

Dois anos depois, voltei a Mafra, para a minha terceira participação nesta prova de 15 km. É uma das minhas provas favoritas e só não fui no ano passado porque estava lesionado.

Não ia com grande vontade de correr. Tinha estado 15 dias parado, por causa de um dente do siso, e apenas tinha retomado os treinos na semana da prova. Para além disso, os treinos que tenho feito foram todos à volta dos 10 km, o que também não ajuda nada.

Esta prova tem “truque” e é preciso não embandeirar no percurso tendencialmente a descer da primeira metade, para depois ter força para responder no retorno, que é tendencialmente a subir. Era este o plano, como tem sido nos outros anos em que lá fui. O problema é que a forma não é a mesma que nos últimos anos em que lá fui (principalmente em 2011, quando eu estava na melhor forma que já tive).

Fui à prova com os Etíopes e Quenianos, e foi o que me valeu. Basicamente fiz a prova (quase) toda em esforço e puxado por um deles, o Carlos, que podia ter feito um tempo melhor, mas escolheu fazer de reboque a alguém com menos 30 anos do que ele. Eu bem tentei que ele se fosse embora, mas não me quis deixar para trás.

Sempre que fui a esta prova, tive direito a um percurso ligeiramente diferente. Desta vez prolongaram o percurso até ao barril e retiraram a volta dentro do Parque. Sinceramente até gostei, porque aquela volta final dentro do Parque é uma seca: passa-se perto da entrada no estádio, corre-se na direcção oposta, para depois se voltar para o estádio – ou seja, foge-se da zona da meta, para depois se voltar para lá. Não acho esse género de percurso muito apelativo, e há várias provas nesta onda.

Cheguei à meta com 1h16m45s, para 15.26 km marcados pelo Garmin. Sem o Carlos não tinha feito este tempo, portanto a primeira coisa que fiz depois de parar o relógio foi agradecer-lhe.

Este foi o meu pior tempo nesta prova. Quem não chora não mama e quem não treina, não faz bons tempos.

Lá recebi mais um sino, que desta vez é de vidro e amarelado.

Esta prova continua a ser uma das melhores que por aí anda, e vale a pena aparecer. Para o ano espero regressar a Mafra para ir buscar mais um sino e ver se faço um tempo um pouco melhor.

20 Km de Cascais

Abril 6, 2014

Mais uma ida a Cascais, para a minha segunda prova do ano.

No próprio dia descobri que também havia alteração do percurso: ao contrário dos anos anteriores, a prova iria arrancar na direcção da Baía.

Outra novidade deste ano era terem a partida dividida em várias zonas (às quais se tinha acesso enviando um comprovativo de tempo de uma prova feita durante o ano anterior). Estas separações acabaram por não resultar muito bem. O pessoal dos “subs” foi deixado para a última da hora, e nessa altura já a fila onde estava a maioria das pessoas tinha avançado. Mesmo nos “subs” aquilo não estava a ser minimamente controlado (e estamos em Portugal).

A primeira parte da prova é, como de costume, em direcção ao Guincho. A segunda parte é o regresso. Normalmente há ali algum vento contra, e aquilo é uma recta muito longa, e um pouco chata. Foram aqui que começaram as minhas dificuldades. Aos 8 km fui ultrapassado por um conhecido, que me perguntou se estava bem e que no final me disse que eu ali estava com má cara. Esta prova custou-me, não sei bem porquê. Estava à espera de ficar ali à volta dos 1h40m mas foi bem diferente disso.

Depois do ponto de retorno ainda recuperei ligeiramente, mas não o suficiente. Esta zona é novamente outra recta longa, mais ou menos até à zona do Farol da Guia.

Quando apareceu a marca dos 16 km, o meu relógio já tinha passado os 17 km. Nesta altura já a minha quebra se notava no tempo que estava a fazer a cada quilómetro.

Na marca dos 18, o relógio ia com 19 km. Ou o relógio estava maluco, ou a prova não ia acabar no sítio do costume, ou então, estava mal marcada.

Na marca dos 20 Km estava um senhor da organização que nos disse “Hoje é um bocadinho mais, desculpem lá”. Não era o Garmin que estava maluco… Um quilómetro nem é muito, mas, quando se vai em esforço, aquilo parece mais do que os mil metros.

Cheguei ao final com 1h47m (para 21.11 km marcados pelo Garmin).

Não sei se a prova chegou a ter a distância da Meia-Maratona (21097 m), porque o Garmin não é exacto “ao metro”, mas se não teve, andou lá perto.

Novo percurso

Até gostei do novo percurso. Evita-se a repetição da passagem na Baía, embora a recta até ao Guincho seja um pouco mais chata (e contra-vento). Eu nem me chateava nadinha que isto passasse a ser a Meia-Maratona de Cascais. Têm é de avisar o pessoal.

Outra vantagem é que este percurso, como não começa a subir, estica mais rapidamente, o que evita os engarrafamentos que às vezes aconteciam no percurso anterior.

A t-shirt

Esta prova tinha o chamariz de, em cada ano, a camisola ter os nomes do pessoal que tinha concluído a prova no ano anterior. Ora este ano não fizeram essa impressão dos nomes. É uma grande falha, pois muita gente foi lá a contar receber essa t-shirt.

Meia-Maratona dos Descobrimentos (2013)

Dezembro 30, 2013

Nove meses depois, voltei a fazer a uma prova de atletismo popular…

O meu objectivo para esta prova era simplesmente fazê-la e “testar o pé”. Os treinos que tenho feito, apesar de regulares, têm sido entre 40 e 50 km por semana, o que não é nada de mais para o que estava habituado a correr antes da minha lesão, em Janeiro. Também em termos de distâncias, os treinos não têm sido por aí além, sendo que os treinos mais longos que fiz nos últimos meses foram um treino de 16.5 km (a 3 semanas da prova) e outro de 17 km (a 8 dias da prova). O peso também não anda famoso pois estou com 5 ou 6 kg acima do meu “normal”.

Com tudo isto, estava à espera de fazer 1h50, ou pouco melhor, pois esse era o meu resultado típico em Meias-Maratonas e só o tinha descido significativamente em 2012, no pico dos meus treinos para Maratona, com outro nível de treino em cima e, principalmente, com uma quantidade bem menor de “peso inútil” em cima.

Quando regressei aos treinos, há cerca de três meses, comecei a treinar com um grupo de pessoal da minha zona, que dá pelo nome de “Etiopes e Quenianos“. Estes senhores andaram a puxar por mim numa altura em que andava desmotivado e sem grande vontade de correr.

Acontece que um desses colegas de treino, o Valter, falou-me do seu record pessoal na MM de apróx. 1h50m, e eu achava que o conseguia ajudar a baixar aquilo, mesmo que eu acabasse por dar o real estoiro.

Ora lá arrancámos.

Pouco depois do arranque, uma senhora de idade avançada atravessou-se à minha frente e tive de parar e de a segura para garantir que não a deitava ao chão. Logo aqui a má organização a dar sinal:  faltou ali algum tipo de controlo. Alguns metros mais à frente, voltei a ver várias pessoas a cruzar o pessoal da corrida numa passadeira. Adiante.

Passámos aos 7 km com 35 min certinhos. Contas de cabeça, 35 min * 3 dá 1h45m. Isto já era record para Valter, portanto bastava manter o ritmo  e era escusado arriscar mais. Aos 10 km passámos um abaixo dos 50 min. Estávamos a ganhar tempo. A questão era se o ritmo se ia manter até ao final. Ora este padrão foi-se repetindo com o progredir da distância, e aos 15 km eu já estava convencido que ia-mos mesmo fazer à volta de 1h45m.

Até que passámos ao quilómetro 18, com menos de 1h29m, e com ritmo a oscilar entre os 4m40s e os 4m50s / km. Contas de cabeça: 1h29, faltam 3 km, portanto mais 15 min, o que quer dizer 1h44m, mas estou a gastar menos do que 5 min por km, portanto isto dá para RP… Bora lá. E baldei-me dali para fora. Foram três quilómetros bem difíceis e claro que nas contas de cabeça tinham faltado os 97 metros extra…

Cruzei a meta, parei o relógio, por engano carreguei novamente no botão de “start” e tive de o voltar a parar… reparei que marcava 1h43m55. Um novo RP, mas por apenas 14 segundos.

A página da xistarca até diz um pouco menos (1h43m51), possivelmente à custa de eu só ter parado o relógio depois de passados dois pontos de controlo e por causa da patetice de ter carregar no start novamente… mas adiante, o relógio é que conta.

Claro que tenho de agradecer ao percurso, que é quase todo em linha, à temperatura e também ao Valter (que bateu o seu RP por vários minutos) pois acabámos por andar nos puxar um ao outro.

Tenho de agradecer aos “Etiopes e Quenianos” pois, na fase em que eu andava muito desmotivado, foram uma boa motivação para me fazer sair de casa e correr um pouco mais.

Apesar de ser um record magrinho (14 segundos…), fiquei bem satisfeito por voltar a estar nas redondezas da 1h44m. Para quem passou vários meses lesionados, isto é uma conquista a dobrar. E o melhor de tudo foi que o pé não me doeu ao longo dos 21 km. Isto deixa-me com mais alento para próximos eventos.

Eis a mensagem do Garmin connect…

novo-record-mm-2013

… que acaba por mostrar o mesmo ritmo em ambas as provas, embora com tempos finais diferentes, devido a terem sido medidas distâncias diferentes.

Em relação à prova

Positivo:

  • Para quem quer bater records, este percurso é muito bom, devido aos seus 18 km em linha.

Negativo:

  • Aquela longa reta de Belém até St. Apolónia é a real seca. O percurso é bom para bater records, mas não o achei divertido.
  • Mau controlo da multidão.
    • Houve várias partes do percurso em que as pessoas cruzaram a corrida. Particularmente perigoso ao início quando está muita gente junta.
  • Não houve abastecimento sólido a meio da prova. Nem fruta, nem marmelada… nada.

Segue-se a São Silvestre da Amadora, para fechar o ano, como de costume.

Corrida das Lezírias (2013)

Março 10, 2013

Hoje fui a Vila-Franca para participar em mais uma Corrida das Lezírias.

Esta era a minha terceira participação nesta prova, à qual fui com o Osvaldo (2ª participação) e com o Horácio (1ª participação).

Eu continuo com o objectivo (simplista) de melhorar os tempos que andei a fazer no ano passado. Não tenho treinado muito, porque há cerca de duas semanas voltei a ter algumas dores no pé. Entretanto essas dores já passaram, mas acabei por perder muitos dias de treino. Este ano tem sido raro conseguir fazer mais do que dois dias de treino consecutivos e tem sido frequente estar cinco ou seis dias parado. Chatices.

O tempo em Lisboa não estava grande coisa, tenho nós apanhado alguma chuva quando nos deslocávamos para a estação de comboio. Se estivesse a chover daquela forma em Vila Franca, ia ser bonito :).

Quando cheguei a Vila Franca estava algum frio, pelo que estava a pensar em fazer a prova de casaco. Mas depois o céu foi abrindo e acabei por meter o casaco na mochila que foi para o bengaleiro.

Pouco depois, lá fomos para a zona da partida. Estava lá imensa gente, como já é habitual. A certa altura vi que os da frente já tinham começado a correr, e eu nem tinha dado pelo sinal de partida.

Isto de ir às provas várias vezes, em anos consecutivos, vai fazendo com que seja cada vez mais difícil falar sobre a prova, sem estar a chover no molhado.

A minha entrada na parte inicial da prova foi bastante calma, até porque há muita gente e as ruas afunilam um bocado. Isto é assim até chegar à Ponte de Vila-Franca, onde já se começa a arranjar espaço (porque a ponte é larga e porque é a subir, o que tem sempre o efeito de partir o pessoal em grupos mais pequenos).

Saindo da ponte, e virando à direita, entra-se no terreno de terra batida (as tais Lezírias), onde se fazem cerca de cinco quilómetros em cada direcção. Na entrada das Lezírias está o campino com o cavalo, característica típica desta prova. O piso não é grande coisa, pois é um bocado duro. As poças de água também não ajudam, porque há sempre aquela tentação de ir aos saltinhos, para não molhar (tanto) os pés e as pernas. Esta fase da corrida foi um bocado chata, porque este ano havia vento contra (na ida). Desde que tinha saído da ponte que ia à volta dos 4m55s por quilómetro. Quando comecei a apanhar o vento, fui um pouco para cima dos 5m por quilómetro. Passei aos 5 km com cerca de 25 minutos de prova – não é mau, mas também não é bom e ainda é cedo para estar com contas. Aos 10 km já se avalia novamente.

Depois do retorno, já não tinha vento contra, e tinha vento a favor, por isso voltei a entrar num ritmo um pouco mais rápido. O vento estava a ajudar, mas o chão continuava duro – não se pode ter tudo. O tempo ia passando, e eu já estava novamente a fazer contas: aos 10 km com 51 minutos iria dar algo perto da 1h15m no final. Seria melhor que no ano anterior, mas ainda longe da minha melhor marcar nas Lezírias.

Saindo das Lezírias, e voltando à estrada, passo pelo cavalo que devia estar bastante confuso em relação à quantidade de pessoal vestido às cores que tinha estado a passar à frente dele na última hora.

Mais uma subida da ponte, onde a pressão de um colega me fez dar um pouco mais, quando estava com vontade de relaxar um pouco. Usei a descida da ponte para descomprimir um pouco. Estava quase, faltavam apenas dois quilómetros.

Passou-me pela cabeça a minha participação de 2011, e como ia em esforço nessa altura. É engraçado, como estar em melhor forma física faz com que seja mais fácil “entrar em esforço”, i.e., dar um pouco mais e entrar naquele ponto de desconforto no qual sentimos que estamos a dar o nosso melhor. Eu esperava que isto fosse proporcional, mas está-me a parecer que não. Talvez seja psicológico. Ou então, sou eu que sou calão e já não tenho espírito para estas coisas :).

Passando a Praça de Toiros, entrei no Parque, preparando-me para ir nas calmas até lá à frente. No entanto, poucos metros mais à frente, alguém se aproximou de mim, o que imediatamente levou ao clique do “isto podia estar a ser mais rápido” e fez com que fizesse aqueles cento e qualquer coisa metros um pouco mais rápido.

Cheguei ao final com o Garmin a marcar 1h15m18s. Não foi mau, e cumpri o objectivo de melhorar o tempo de 2012, apesar do percurso ser diferente, a diferença de mais de seis minutos é significativa. Parece-me que o percurso de 2012 é mais duro, devido às irregularidades do chão.

Segue-se o resumo das minhas participações nesta prova:

lezirias_2011_2013_02

No caso desta prova, tem de se ter em conta que o percurso não foi sempre o mesmo. Os percursos de 2011 e 2013 são praticamente iguais, mas confirmei no mapa do percurso que a partida em 2013 foi feita mais atrás, o que poderá explicar parte da diferença (provavelmente em conjunto com algum erro do GPS). O percurso de 2012 foi diferente em cerca de 5 a 7 km do deste ano.

No final da corrida, andavam lá a vender rifas para ficar com este animal fofo:

2013-03-10 11.50.42

Organização

Para acabar, vou deixar uma crítica à organização desta prova:

Duranta a semana divulgaram (através do site, por telefone e por e-mail) a informação de que os dorsais apenas seriam entregues entre 5ª e Sábado. Isto era o contrário do que tem acontecido nos últimos dois anos, nos quais os dorsais foram dados no dia da prova. Tivemos de arranjar uma solução e, apenas por sorte, não tivemos de ir a Vila-Franca no Sábado. Hoje, quando chegámos a Vila Franca, fomos procurar o bengaleiro e lá estavam, alegremente, a entregar dorsais. Eram cerca de 9h30. Claro que eu já esperava que isto fosse acontecer.

Eu percebo que queiram evitar confusão no próprio dia, mas não faz sentido obrigarem as pessoas a irem até ao local da prova, no dia anterior à mesma, para levantar os dorsais. A alternativa de levantar os dorsais na Xistarca não era realista, devido ao horário indicado: qualquer um de nós os três, para estar na Ajuda às 18h00, teria de sair do trabalho o mais tardar às 17h00.

20 Km de Cascais (2013)

Fevereiro 10, 2013

Esta é uma daquelas provas às quais não posso faltar e hoje foi a minha terceira participação seguida na mesma. Este ano foi a 30ª edição da prova.

Em muito melhor forma do que na altura da minha participação na 29ª edição, tinha de me redimir daquela desgraça de tempo que tinha feito no ano passado.

A t-shirt desta prova trás os nomes dos participantes que acabaram a prova no ano anterior. Ainda não me dediquei a procurar o meu porque a lista é imensa… No próximo ano a t-shirt ainda deve ter mais nomes, tal a quantidade de gente que estava na prova. Quando ia ao primeiro quilómetro ainda tinha mesmo muita gente à minha frente. Não conseguia ver espaços vazios na frente…

Não tenho muito para dizer sobre a prova. Fiz a parte inicial, dentro de Cascais, de forma relativamente calma. Quando cheguei ao 6º km / início da “recta” comecei a correr um pouco mais depressa, e fui aguentado o vento contra. Andei quase sempre entre os 4m50s/km e os 5m00s/km. A certa altura ainda questionei o ritmo, pois andava à volta do ritmo que fiz há 3 meses na Nazaré – e já não estou nesse género de forma, mas sempre era menos quilómetro portanto decidir arriscar.

A prova passou pelo Farol da Guia, que é um dos sítios onde costumo fazer escalada. Curiosamente, na última prova em que participei (“GP Fim da Europa”), também tinha passado numa das zonas para onde já fui escalar (ao pé do Convento dos Capuchos).

É impressionante a seriedade com que as pessoas cada vez mais abordam estas provas de atletismo. Eu vi pessoal que devia ir para fazer tempos entre 1h45 e 1h50 a tomarem gel de hidratos de carbono.

Ao quilómetro 18 aquilo já me estava a custar um bocado, mas lá arranjei força para fugir do grupo onde estava. Cada vez mais perto da meta e aproveitando a descida lá ganhei um bocadito de velocidade.

Cheguei ao final e o meu Garmin marcava 1h38m43s. Nada mal.

Quando cheguei a casa fui ver os meus tempos de 2011 e 2012. Em 2011, na minha primeira e melhor participação, tinha feito 1h38m15s. Que grande porra: fiquei a 28 segundos do meu melhor tempo na prova.

Aqui fica um resumo do meu histórico nesta prova:

20-km-de-Cascais-2011-2013-resumo

PS: Só é pena que não tenham voltando a distribuir medalinhas com as letras da palavra cascais. Ainda pensei que este ano voltassem ao “C”, mas não. Agora tenho lá em casa um “I” e um “S” muito solitários…

Grande Prémio “Fim da Europa” (2013)

Janeiro 27, 2013

Hoje participei pela segunda vez nesta prova, que tem um dos percursos mais agradáveis aqui à volta de Lisboa.

Para quem não sabe, esta prova não se realizou oficialmente no ano passado, por falta de orçamento, mas algumas pessoas juntaram-se e fizeram o percurso da mesma em treino. No ano passado não fui a esse treino porque na altura estava com gripe, mas vontade não me faltava, porque o percurso realmente é bonito.

Assim que soube que as inscrições estavam abertas para a prova oficial em 2013, inscrevi-me logo. Ou seja, estava inscrito para isto há uns três meses (o que não costumo fazer normalmente).

Um bocadinho de história deste mês

No início do ano, uns dois dias após a São Silvestre de Lisboa, comecei a ter umas dores num dos pés. Decidi descansar um par de dias o que fez com que a dor passasse. Mas quando corria (ou andava um pouco mais), no dia a seguir estava novamente com dores. Mais uns dias sem correr, voltei a correr, voltou a doer.

Decidi tirar 15 dias de repouso total. Resultado: em Janeiro, até hoje, tinha corrido 5 vezes, todas abaixo de 10 km. Isto não só leva a alguma perda de forma, como faz com que não faça um dos meus hobbies favoritos… Que grande seca.

Ainda pensei em não ir à prova, mas decidi ir e fazer nas calmas, e decidi que de vez em quando iria parar e fazer alguns metros a andar. O objectivo era mais começar a recuperar a forma, do que outra coisa.

Regressando à prova

O dia estava de chuva, mas a chuva parou um pouco antes da partida.

A minha prova não teve grande história: fui fazendo aquilo nas calmas, parei para andar nos pontos de abastecimento e fiz nas calmas mais ou menos até ao muro dos 10 km.

Pouco depois de passar uma hora de prova, o meu relógio começou-se a queixar da bateria. Já me tinha queixado disto aquando dos treinos para a Maratona, mas nessa altura ainda aguentava três horas antes de se queixar.

Durante o percurso deu para ver muitas das árvores que tinham caído durante o temporal do fim de semana anterior. Também havia algum nevoeiro, o que fazia com que não se visse muito da paisagem. Mas Sintra é Sintra, e o nevoeiro até contribui para aquele “ar mágico”…

Aos 12 km ia com 1h24m, que era o tempo de 2011. Tinha mesmo andado nas calmas. Depois disso já estava descansado em relação ao pé e portanto deixei-me ir.

Perto da meta, mais um aviso do Garmin. Olha a porra. Já sei que vou entrar em despesa para comprar um relógio novo.

Cheguei ao final com 1h38m54s, exactamente 14 minutos a mais em relação ao tempo de 2011.

O melhor de tudo foi ter voltado a correr :).

Espero que em 2014 a prova volte a ser realizada, para poder ir lá fazer um tempo de jeito.

São Silvestre da Amadora (2012)

Dezembro 31, 2012

Hoje fui à Amadora para participar pela terceira vez consecutiva nesta prova que “encerra” o ano civil. Acho que esta é a prova na qual tenho mais participações (três). É uma prova que calha bem em termos de data (ajuda a eliminar as calorias em excesso do Ano Novo) e fica perto de casa.

Este ano houve um par de novidades:
A primeira é que estava a chover. A segunda é que mudaram ligeiramente o percurso.

Com tanta chuva nem fui aquecer. Nem eu, nem a malta que estava comigo.

Normalmente esta prova tem muitas pessoas a assistir, quer na rua, quer às janelas. Pensei que com a chuva fosse haver menos público nas ruas, mas depois isso acabou por não se verificar. De todas as provas que fiz, esta é a que tem o melhor apoio popular, sem qualquer dúvida. Não há uma única secção em que não haja apoio.

Saindo do carro, onde estava escondido da chuva e do frio, liguei o meu Garmin: Sinal de bateria fraca. Oops. Tenho quase certeza que o tinha carregado ontem, portanto ou o liguei sem querer, ou então a bateria está mesmo pelas ruas da amargura e vou ter de entrar em despesa em 2013… mas ainda tinha uma barra, e uma barra tipicamente dá para uma horita. Podia ser que desse.

Só nesta altura é que nós percebemos que o percurso ia ser diferente do ano passado, porque o balão da partida estava ao pé do Rangel (nos anos anteriores o arranque foi em frente ao Pingo Doce).

Fomos para lá, sempre com chuva a cair na cabeça. Deram a partida das senhoras e nós continuámos à espera.

Pelo que percebi da conversa do animador, a prova bateu ou esteve perto de bater o record de participantes. Suspeito que a crise fez com que muita gente não tenha viajado nesta passagem de ano, deixando assim o calendário aberto para mais uma corridita.

O pessoal já estava a ficar impaciente… mas lá arrancou a prova. Toca a subir.

Primeiro quilómetro feito em 5:15.1; Nada mal para um quilómetro quase todo a subir e sem aquecimento. Segundo quilómetro feito em 5:17.5;

Pouco depois do 2º quilómetro o meu Garmin apagou-se. E pronto, agora era correr sem referência e ver o que saía dali.

Eu ia com algumas dores nas pernas. Era dor de perna em esforço e não parecia ser muscular. Suspeito que foi mais à conta da falta de aquecimento do que de outra coisa. Outra hipótese era ser por causa dos ténis, que nunca tinha usado em prova, mas com os quais já tinha feito mais de 100 km de treino para a Maratona, portanto já não deveriam causar problemas – a não ser que não sejam grande coisa. Na subida do Lido essas dores nas pernas tornaram-se um pouco mais chatas, mas acabei por subir sem grande dificuldade, embora não tenha sido a melhor subida que fiz daquela rua.

Algures pelo 7º km um rapaz veio contra mim e deu-me uma ligeira carga de ombro. Estava com ar de quem ia cansado, pois não ia com boa postura. Chamei-lhe à atenção, o que resultou neste diálogo:

> Desculpe. É que estou com pressa.
> Estás com pressa para quê? Para fugir da chuva?
> Para acabar a corrida.
> Mas tens de ter cuidado para não provocares uma queda…

(Diálogos “engraçados” a meio da prova.)

Pouco depois cheguei passei na placa do 8º quilómetro e perguntei o tempo a um corredor que ia ao meu lado. Disse-me que ia em 38 minutos. Pensei que ainda era capaz de dar para baixar ligeiramente o tempo do ano passado, pois agora o percurso era maioritariamente a descer.

Esqueci-me foi que o percurso não tinha começado no sítio do costume. Quando cheguei ao Pingo Doce e vi a placa do 9º quilómetro é que percebi que ainda faltava um bocado grande. E lá tive de ir correndo em direcção às Portas de Benfica (ou de Lisboa?), antes de chegar ao ponto retorno (um bocado antes das ditas Portas).

Feito o retorno era só aguentar até à meta.

Cheguei à meta com o relógio oficial a marcar 48 minutos e qualquer coisa. Como não tenho tempo do meu relógio, não sei ao certo qual o tempo líquido, mas estou a suspeitar que não bati o tempo do ano passado. Claramente cheguei à meta menos cansado.

Acabei por ficar satisfeito com a prova, pois o percurso desta corrida não é fácil, e a chuva também não ajudou.

Fiquei com alguma pena por não ficar com o registo electrónico da prova, mas pronto, não se pode ter tudo. Fica aqui uma imagem que mostra o que o Garmin conseguiu captar:

são-silvestre-amadora-2012

Maratona Seaside de Lisboa (2012)

Dezembro 9, 2012

Hoje era dia M, de Maratona. Era dia de correr 42.165 metros. E era dia de ir atrás das infames quatro horas nesta distância mítica.

A estratégia

A minha estratégia era simples:

  • Para bater as 4 horas tinha de correr, em média, a um ritmo mínimo de 5m41s / km.
  • Como a prova tem um final difícil (Almirante Reis) iria fazer os primeiros 5 km a um ritmo ligeiramente mais lento (à volta de 5:51 por km) para evitar gasto energético elevado (para ter reservas para atacar a Almirante Reis) e para poder aquecer devidamente “a máquina”.
  • Depois do 5º km começaria a recuperar terreno, baixando progressivamente o ritmo, mas evitando baixar dos 5m36s / km. Nota: os 5m36s foram recomendação de uma pessoa experiente, com base no meu recente tempo à Meia-Maratona.
  • Desta forma teria de fazer a maioria do percurso abaixo de 5m39s, de forma a obter a média referida.

Era a minha segunda participação nesta prova, pelo que já conhecia o percurso.

A incógnita aqui era a Almirante Reis. No ano passado cheguei muito bem à Almirante Reis porque tinha feito a corrida quase toda de forma muito conservadora. Este ano não podia ser tão conservador, pois queria mesmo bater o relógio.

Eu estava convencido de que iria conseguir seguir a estratégia, pelo menos até à Almirante Reis. Se quebrasse na Almirante Reis podia não conseguir o ritmo médio alvejado.

A coisa correu mais ou menos assim, embora em algumas zonas tenha saído significativamente dos ritmos alvo.

A prova

O Estádio Primeiro de Maio estava cheio de pessoal. Não sei o que é que aconteceu, mas havia muito mais gente do que no ano passado. Principalmente estrangeiros, que são bem-vindos porque vêm cá deixar os seus euros e dólares que tanta falta nos fazem (sim, as senhoras loirinhas de olhos azuis embelezam a capital, mas a gente precisa é de euros :)).

Nos bolsos tinha o material da minha estratégia de abastecimento: 4 pacotes de gel de pêra e 3 cubos de Marmelada. Também tinha um telemóvel.

Antes da prova começar estava um pouco nervoso, mas isso passou assim que cruzei a linha da partida.

Comecei um pouco mais lento do que o previsto. Não estava fácil correr pois havia muita gente em prova e ainda demorou um pouco a abrir uma clareira.

Ainda durante o primeiro quilómetro passei por um rapaz que estava a fazer a prova em cadeira de rodas e que, na subida, estava a ser ajudado por alguns corredores. Pelo que percebi havia ali um grupo de três ou quatro pessoas que estavam a fazer a Maratona para ajudar o rapaz. Cruzei-me várias vezes com este grupo durante a prova e achei bastante interessante: não é fácil correr uma Maratona e é de louvar que alguém se disponha a correr a distância mítica para ajudar outra pessoa.

Sair da zona de conforto

Os cinco primeiros quilómetros foram feitos a um ritmo calmo, tendo inclusivamente feito dois quilómetros acima de 6:00 (6:02 e 6:06). O ritmo médio estava à volta dos 5:52, que era 11 segundos acima do médio. Estava na hora de começar a correr ligeiramente mais rápido e de começar a aproximar-me do ritmo pretendido. E assim foi.

Durante estes primeiros quilómetros notei uma pequena dôr na coxa direita, e estava preocupado que isso pudesse vir a dar trabalho mais à frente. Era uma dôr já tinha tido em alguns treinos. A certa altura passou e não me chateou mais :).

Por volta do 13º km tive de fazer uma paragem para ir ao WC (à custa da água que já tinha bebido). Curiosamente fui ao WC no mesmo sítio onde tinha ido no ano passado. Ir ao WC significa perder tempo, mas a decisão era fácil: ou ia ao WC, ou tinha de lidar com o desconforto durante mais 30 km. Nesta ida ao WC perdi uns 20 ou 30 segundos – como foi numa rua em descida, acabou por não ter grande impacto no tempo do quilómetro.

Um pouco mais à frente, ao 15º km e já em Sete Rios, apareceu mais uma subida semi-longa, seguida de outra descida que nos levou para a rua do El Corte Inglés, onde nos apareceu mais uma subida… Enfim, é Lisboa :).

Aproveitei a descida desde o El Corte Inglés até ao Terreiro do Paço para recuperar algum tempo e fiz dois quilómetros a 5:27. Tive de me conter um bocado, porque as descidas são enganadoras e é fácil gastar energia sem se dar por isso. Ainda assim, achei que os 5:27 já eram abusar da sorte…

A recta

Lá cheguei ao Terreiro do Paço. Era altura de acalmar o ritmo e voltar para o intervalo de segurança (5:36 – 5:41).

Eu estava constantemente a olhar para o relógio para perceber se o Ritmo Médio estava a baixar. A cerca altura já ia em 5:43, o que significava que já tinha recuperado significativamente do início mais lento.

Eu quase sempre que olhava para o relógio via que estava a correr o quilómetro actual a 5:38 mas, curiosamente, há muito poucos parciais com 5:38 no registo que o relógio fez. Se calhar estava a sonhar. Na cabeça ia a dúvida sobre se conseguiria manter aquilo ritmo até ao final.

Lá passei na zona em que começa a Meia-Maratona (ainda me lembro de, em 2010, estar nesta zona à espera da partida para a minha primeira Meia-Maratona e de ver passar o pessoal da Maratona e de ter achado as passadas daquela malta impressionantes) e aquilo ainda estava cheio de pessoal que lá estava para a estafeta.

Ao quilómetro 23 cruzei-me com o meu amigo Tiago, que me foi dar dois cubos de marmelada (os bolsos são limitados e não cabia lá tudo) que eu iria usar durante a segunda metade da prova. Tinha dito ao Tiago que ia chegar ao pé dele entre as 11:08 e as 11:15, e passei à volta das 11:12 e qualquer coisa. A coisa estava a correr bem e ainda me sentia em boas condições mas a parte chata da Maratona ainda estava para começar.

Continuo em direcção a Algés e, a certa altura, oiço alguém a gritar o meu nome. Era o Nuno, que estava no outro lado da estrada, de bicicleta, a deslocar-se para o local onde iria esperar por mim para me ajudar nos quilómetros finais. O rapaz fez uma tal baralheira que devem ter ficado a achar que ia maluco :).

Esta parte do percurso é um bocado chata e longa, mas era a parte onde era essencial que eu conseguisse correr abaixo do ritmo alvo, para poder compensar o início mais lento. Ia olhando para o pessoal que corria na direcção contrária, tentando encontrar alguns amigos e conhecidos que vinham na Meia-Maratona. Acabei por não conseguir ver ninguém, ao contrário do ano passado…

A certa altura escorreguei no chão molhado de uma zona de abastecimento e ia caindo (cheguei a tocar com uma mão no chão). Fiquei com umas dores no braço e no dedo grande do pé direito (!) e isso deixou-me um pouco preocupado. Também fiquei um pouco irritado, pois tinha perdido ali alguns segundos e, principalmente, tinha saído do meu ritmo. As dores no braço foram passando, mas o dedo tinha ficado tocado suficiente para causar algum desconforto.

Eu continuava a manter o ritmo e a olhar para o relógio. A certa altura aquilo marcava 5:42 de ritmo médio. Estava quase a entrar no ritmo médio que permitia acabar a Maratona abaixo das 4 horas, mas ainda não estava lá e já tinha corrido vários km abaixo do ritmo desejado. Estariam as minhas expectativas desajustadas? Tinha feito mal as contas?

A companhia

Tal como no ano passado, recrutei o Nuno para me ajudar nos últimos quilómetros da Maratona. Desta vez ele juntou-se a mim perto do 29º km.

Expliquei-lhe a estratégia que estava a seguir e disse-lhe que precisava de continuar a correr abaixo de 5:39 / 5:38 para conseguir baixar o ritmo médio e acabar aquilo bem.

Ali por volta dos 30º km já se começavam a notar algumas quebras no pessoal. Isso acaba por dar algum alento a quem ainda vai bem.

O Nuno perguntou-me como estava o Ritmo Cardíaco e disse-lhe que este ano tinha decidido não ligar ao RC. Estava a fazer a prova usando apenas o ritmo de corrida como referência. Acho que só olhei para o RC uma vez durante a prova toda (até me lembro que marcava 146 bpm na descida do ECI para o Marquês).

Ali por volta do 32º ou 33º comecei a notar alguma dificuldade em manter o ritmo. Tinha de puxar mais pela “máquina” para me conseguir manter naquela zona alvo. Mas ainda conseguia correr normalmente e conseguia falar.

Um pouco antes de chegar à Almirante Reis, o relógio marcou 5:39 (ou 5:40, já nem sei) como ritmo médio. Fiquei contente e esperançado mas, como ainda faltava subir aquilo tudo, ainda não tinha certeza que fosse conseguir as quatro horas. Se mantivesse o ritmo ia conseguir, mas se quebrasse podia desperdiçar quatro meses de trabalho.

A Almirante Reis

Não sei o que se passou mas, a certa altura, já estava em piloto automático e comecei a correr mais rápido. Enquanto subia a Almirante Reis, à qual tinha chegado com 35 km nas pernas. O Nuno chamou à atenção que estávamos a fazer como no ano passado e que estávamos a passar montes de gente.

Apesar dos receios, a Almirante Reis correu-me bem. No entanto custou-me muito, porque ia com as pernas muito cansadas e foi físicamente e psicológicamente exigente manter (ou melhor, acelerar) o ritmo durante aquela subida toda. O meu cérebro deve ter passado para as pernas… Foram várias as vezes em que me vieram lágrimas aos olhos (não estava em sofrimento, mas estava em esforço e um pouco emocionado por perceber que o treino ia dar dividendos). Fiz, durante a subida da Almirante Reis, 2 dos 3 quilómetros mais rápidos de hoje. O apoio do Nuno foi muito importante nesta fase, porque permitiu tirar um bocado a cabeça do desconforto.

Ainda durante a subida ainda tive algumas dores e ameaços de caimbras (que me iam assustando) mas nada que me obrigasse a baixar o ritmo (pelo contrário).

A certa altura o relógio começou a marcar 5:37 de ritmo médio e foi aí que me apercebi que ia conseguir bater as 4 horas com margem. Chegado ao Areeiro ainda tomei o último gel (não sei se terá tido algum efeito… mas estava no bolso, portanto siga) e a partir dali já estava feita :).

O Nuno deixou-me um pouco depois, antes da descida da Av. dos EUA. Ali já estava super feita, era só aproveitar a descida para embalar para o final. À entrada do estádio ainda escorreguei ligeiramente, o que fez com que outra caimbra aparecesse mas era só mais uma ameaça. Vieram-me novamente lágrimas aos olhos enquanto me deslocava para o tartan. Quando entrei no tartan e olhei para o relógio, vi que estava nas 3h57m…

Quando cruzei a meta e parei comecei a ter caimbras em vários músculos das pernas. Ainda bem que a Maratona são só 42165 metros…

Consegui bater as 4 horas. Fiz a prova em 3h57m47s. É o meu novo record pessoal na distância da Maratona. É uma bela prenda de Natal antecipada :).

Quando cheguei ao carro e me sentei, tive uma caimba que me obrigou a sair do carro para alongar os músculos. A minha boleia fez o seguinte comentário “Para que é que é preciso correr 40 km? Não chegam 20?”. Eu nem tentei explicar…

Parciais do Garmin:

  • 10 km – 58m43s
  • 21 km (HM) – 2h01m (+ -)
  • 30 km – 2h51m11s
  • 40 km – 3h47m (+ -)
  • 42.165 m – 3h57m47s

Fiz um parcial negativo de cerca de 3 minutos.

Em 2011 tinha feito esta prova em 4h12m32s, o que significa que o novo record são menos 12m45s.

Eu gosto muito deste percurso e gostaria de melhorar mais o meu tempo no mesmo. Infelizmente, pelo que li recentemente, este terá sido o último ano que a prova teve este percurso. A prova foi adquirida e o percurso previsto para o próximo ano será praticamente todo à beira-mar.

Tenho pena que mudem o percurso, pois acho que é muito desafiante – não só pela Almirante Reis, mas pelo perfil de sobe-e-desce que torna difícil uma “temporização equilibrada”. Percebo que o percurso actual não é grande chamariz para os estrangeiros que querem é provas para bater records, mas Lisboa é sobe e desce. Uma Maratona de Lisboa sem colinas não é uma Maratona de Lisboa :).

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Uma nota sobre o treino

Como já tinha dito no post sobre o treino feito em Agosto,
uma das dificuldades do plano era o treino em RM ao Sábado, seguido de um treino longo ao Domingo. Isto fazia com que o treino de Domingo fosse difícil devido às pernas cansadas do treino mais rápido de Sábado. Ao subir a Almirante Reis lembrei-me desses dias em que o treino de Domingo era mais lento do que o planeado (que já era lento por concepção) pois, em termos de resposta ao cansaço, parecia que estava num desses treinos (embora com muito mais esforço, porque estava a correr muito mais depressa).

Outra coisa que o plano recomendava (e que fui fazendo) eram as ocasionais “fast finish long runs“, nas quais o último 1/4 da distância (supostamente – nem sempre fiz tanto) era feito a um ritmo mais rápido do que os 3/4 anteriores, também para treinar a capacidade de correr depressa com as pernas cansadas.

Estou plenamente satisfeito com a escolha de plano para o resultado desejado e efectivamente fiquei preparado para “correr rápido com as pernas cansadas”. Embora não tenha seguido o plano a 100% e apesar de ter feito algumas modificações (essencialmente para adicionar distância) segui o espírito (filosofia?) do mesmo à risca.

Para terminar, deixo os meus parabéns a todos os que se estrearam nesta prova e que entraram na categoria de Maratonistas 🙂 e um agradecimento ao Tiago e ao Nuno pela disponibilidade para irem para o frio a um Domingo de manhã para me ajudarem a alcançar o objectivo.

Meia-Maratona da Nazaré (2012)

Novembro 18, 2012

Estive presente na 38ª edição desta que é a mais antiga Meia-Maratona realizada em Portugal (facto que leva a que lhe chamem “a Mãe de todas as meias maratonas”.

Esta foi a prova na qual participei e que implicou um maior deslocamento (e também uma maior despesa, porque passei o fim de semana na Nazaré). Tudo começou quando o meu amigo João resolveu treinar para uma Meia-Maratona e a prova que mais perto estava do final do plano dele era a Meia da Nazaré. Como eu ainda não tinha feito nenhuma Meia-Maratona neste período de treino para a Maratona, decidi juntar-me na viagem até à Nazaré.

Fomos no Sábado para a Nazaré.

A falta de prática nisto das provas já se vai notando e nem me lembrei de meter alfinetes d’ama no saco.
Então lá andámos nós à procura de alguma loja que vendesse tal material, com receio de não arranjar-mos no dia da prova. Lá encontrámos uma loja que os tinha, e onde a vendedora nos disse “hoje e amanhã só se vende é disto“.

À noite fomos buscar os dorsais ao Cine-Teatro, que pelos vistos também é o cinema. E fiquei com ideia que também é o casino. No saco do dorsal vinham alfinetes d’ama… 🙂

A prova

Eu ia à Nazaré para bater o meu record pessoal, porque sentia que estava capaz de o fazer e porque precisava de fazer o melhor tempo possível, para ter uma referência realista para a Maratona. Apontei para um ritmo médio abaixo de 5m10s / km, com os três quilómetros iniciais acima disso para aquecimento e porque já sabia que haveria uma longa subida que começava antes do segundo quilómetro.

Lá cumpri o plano durante os primeiros dois quilómetros, mas mas depois apercebi-me de que o ritmo (perto dos 5:05 por km) estava a sair sem grande esforço. Decidi que ia manter aquele ritmo (um bocado abaixo do que tinha planeado, mas não muito). A certa altura comecei a achar que na segunda parte da prova seria capaz de fazer alguns quilómetros abaixo dos 5m / km.

Fui mantendo o ritmo e os quilómetros foram passado. Fui passando pelas zonas de distribuição de água e, além da água, estavam a dar esponjas molhadas – e nem sequer estavam a ser forretas (deram-me sempre 2 nos vários pontos).

Chegado ao ponto de retorno, por volta dos 12.5 km, e despachada a subida mais complicada da prova, estava na altura de voltar para a Nazaré. Foi aqui que começou o meu embalo para o final, pois aproveitei a descida para ganhar velocidade.

Estava um vento contra muito forte, mas eu estava com força e com vontade.

Aquele vento meio-de-frente, meio-de-lado deve ter estoirado com muita gente. Aos 13 km já se notava que estava muita gente a quebrar e não havia quase ninguém num ritmo que me agradasse e que me fizesse querer ficar com essa pessoa – tirando um senhor ao qual até ofereci uma das esponjas que me deram. Eventualmente esse senhor também começou a ficar para trás, e lá fui eu para outra ilha e assim andei durante um bocado.

Aos 17 km começo a sentir a porra da dor de burro. Nesta altura juntei-me a um pequeno grupo de três atletas e fiquei ali ao pé deles para controlar o meu próprio ritmo enquanto recuperava da dor. Comecei a massajar a zona e passou num instante. Menos um susto, mas estava a começar mais uma subida. Era a segunda passagem no viaduto. Eu continuava com força. Feita a subida, estava na hora de descer e recuperar mais um pouco.

Aos 18 km olhei para o relógio, que marcava 1h30m. Fiz umas contas de cabeça, mas já estava meio baralhado… a brilhante conta foi algo do género:
“1h30 + 4 km, portanto + 20min, portanto 1h50”
achei um bocado estranho, pensei melhor e lá me lembrei que dos 18 para os 21 são 3 e não 4:
“portanto 1h45”
claro que também me estava a esquecer que estava a rolar abaixo dos 5 min/km. Mas 1h45 já era um senhor record, pelo que estava super motivado para manter aquele ritmo.

Tinha agora um “colega” pendurado que estava a usar-me como escudo anti-vento e como reboque. Decidi que me ia embora dali.

Passo pelo chuveiro (sim, havia um par de chuveiros a meio do percurso) penso se “vou ou não vou” e passo ao lado. Não valia a pena, já estava muito perto.

Estava-me a custar muito manter aquele ritmo, já ia de dentes serrados.

Vejo o primeiro balão (o da partida) e recupero algum alento. Falta pouco. Já se via o segundo balão. Já agora aguenta-se o esforço e o record vai ser ainda mais simpático. Chego ao segundo balão e oops, afinal ainda não é aqui. Falta mais um bocado. Relaxo durante uns metros até perceber onde era a meta, para voltar a apertar um pouco depois.

(Ao cruzar a meta levei umas bocas por ter ultrapassado algum pessoal nos últimos metros. Não percebo esta malta.)

Cheguei ao final. O relógio marcava 1h44m09s – um novo record pessoal. Pela primeira vez tinha feito uma Meia-Maratona abaixo da 1h50m. Não só tinha batido o meu RP, como tinha tirado mais de 6 minutos ao tempo anterior (1h50m45s feito em Setembro de 2011).

No saco estava uma medalha, um bonito prato de porcelana alusivo à prova, um bolito regional (bem bom) e mais algumas coisas. Mas é claro que o record foi a melhor prenda que trouxe da Nazaré.

Esperei pelo João e depois fomos para a praia, onde molhei as pernas na água gelada da Nazaré, para tentar apressar a recuperação. Passado um pouco, uma daquelas ondas malucas trouxe-me de volta para a costa…

Passadas umas horas voltámos para Lisboa. Estava bem alegre e com um sentimento de dever cumprido. O meu trabalho dos últimos três meses (na realidade já vão sendo cinco) estava a ser recompensado.

O impacto da prova na população

Uma coisa que me apercebi durante este fim de semana foi o impacto que esta prova tem na economia local. A Nazaré é uma zona turística, à beira-mar, que provavelmente é mais frequentada no verão. Durante este fim de semana vi a Nazaré cheia de gente de fato de treino ou com ténis ultra coloridos. Pareceu-me realmente algo importante para a região, ao contrário de muitas provas (mesmo as mais populares) em que costumo participar. Algo a ter em conta em futuras escolhas de provas.

Deixo já a promessa que, em 2013, repito a visita à “Mãe de todas as Meias-Maratonas em Portugal”. Pode ser que a Mãe me dê outra prenda :).

Para quem estiver na dúvida: vale a pena ir a esta prova, principalmente para quem gosta de provas sem confusão e onde a enfase está na corrida e não na “festa”. Partida sem confusões, pormenores interessantes (chuveiros e esponjas), percurso e cenários variados e até havia sardinhas gratuitas para os corredores (mas era preciso ir à casa do benfica e isso já é pedir demais de mim :p).