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Corrida dos Sinos (Mafra)

Abril 8, 2014

Dois anos depois, voltei a Mafra, para a minha terceira participação nesta prova de 15 km. É uma das minhas provas favoritas e só não fui no ano passado porque estava lesionado.

Não ia com grande vontade de correr. Tinha estado 15 dias parado, por causa de um dente do siso, e apenas tinha retomado os treinos na semana da prova. Para além disso, os treinos que tenho feito foram todos à volta dos 10 km, o que também não ajuda nada.

Esta prova tem “truque” e é preciso não embandeirar no percurso tendencialmente a descer da primeira metade, para depois ter força para responder no retorno, que é tendencialmente a subir. Era este o plano, como tem sido nos outros anos em que lá fui. O problema é que a forma não é a mesma que nos últimos anos em que lá fui (principalmente em 2011, quando eu estava na melhor forma que já tive).

Fui à prova com os Etíopes e Quenianos, e foi o que me valeu. Basicamente fiz a prova (quase) toda em esforço e puxado por um deles, o Carlos, que podia ter feito um tempo melhor, mas escolheu fazer de reboque a alguém com menos 30 anos do que ele. Eu bem tentei que ele se fosse embora, mas não me quis deixar para trás.

Sempre que fui a esta prova, tive direito a um percurso ligeiramente diferente. Desta vez prolongaram o percurso até ao barril e retiraram a volta dentro do Parque. Sinceramente até gostei, porque aquela volta final dentro do Parque é uma seca: passa-se perto da entrada no estádio, corre-se na direcção oposta, para depois se voltar para o estádio – ou seja, foge-se da zona da meta, para depois se voltar para lá. Não acho esse género de percurso muito apelativo, e há várias provas nesta onda.

Cheguei à meta com 1h16m45s, para 15.26 km marcados pelo Garmin. Sem o Carlos não tinha feito este tempo, portanto a primeira coisa que fiz depois de parar o relógio foi agradecer-lhe.

Este foi o meu pior tempo nesta prova. Quem não chora não mama e quem não treina, não faz bons tempos.

Lá recebi mais um sino, que desta vez é de vidro e amarelado.

Esta prova continua a ser uma das melhores que por aí anda, e vale a pena aparecer. Para o ano espero regressar a Mafra para ir buscar mais um sino e ver se faço um tempo um pouco melhor.

Corrida dos Sinos (Mafra, 2012)

Abril 1, 2012

Hoje fui até Mafra para participar, pela segunda vez, nesta prova de 15 Km.

O tempo não estava grande coisa e antes da partida ainda choveu durante mais de meia hora.

Enquanto esperava na zona da partida ainda havia chuva a cair, o que não estava a ser muito agradável. A vantagem é que a temperatura estava baixa, o que é quase sempre bom para correr, e provavelmente acabou por me ajudar durante a prova.

Nesta prova o “tiro de partida” é dado através do toque de um sino (muito temático). Depois do sino arranquei e fui nas calmas encostado à direita. Não estava com grande pressa pois não queria ter uma quebra como a da semana passada na Meia-Maratona.

Passado um bocado, apareceu uma alteração ao percurso relativamente ao ano passado: havia um corte para obras na estrada, o que fez com que o percurso da corrida fosse dar a volta ao Mosteiro. Nisto, acabei por descobrir que as traseiras do Mosteiro são um quartel do exército.

Passando o quartel e dando a volta ao Mosteiro, comecei-me a lembrar que o percurso desta prova é bastante enganador: a primeira metade é bastante fácil, pois tem muitas descidas longas, e a segunda metade implica voltar para trás, sendo quase toda a subir. Ao lembrar-me disto resolvi ir ainda com mais calma, para conseguir voltar para trás em condições (estratégia que já tinha dado bons resultados no ano passado).

Havia montes de corredores, alguns deles provavelmente incautos, a aproveitar o embalo da descida. Apesar da tentação fui-me mantendo no meu ritmo.

Chegando ao ponto de retorno, por volta do 8º Km, era altura de subir. Eu até gosto de subir e tinha poupado energia, portando fui recuperando caminho a muita gente, o que acaba por ser motivador.

E os quilómetros lá foram passando, até chegar ao 14º e à entrada do parque desportivo de Mafra. Os últimos 750 metros (mais ou menos) desta prova são feitos dentro do Parque, numa volta que eu acho um bocado chata, pois existe uma primeira fase em que nos afastamos da meta para depois voltar na direcção oposta. Tive uma ligeira quebra nesta fase e até chegar à pista de tartan.

Eu tinha vindo a pensar se tinha energia para tentar um sprint no final. Não estava plenamente convencido, mas quando entrei na curva antes da recta da meta, consegui meter um ritmo mais forte. Nisto, sinto que vem um corredor atrás de mim, pela direita, também em sprint. Tive imediatamente a reacção de sprintar ainda mais rápido, para não o deixar passar… e consegui.

O mais engraçado do final desta prova é que é propício a estas coisas, pois o estádio tem uma bancada onde se junta muita gente para ver os corredores a chegar. Estas pessoas têm alguma tendência a apoiar bastante chegadas, principalmente quando são sprints parvos de pessoal que não via ganhar nada na prova :). No meio disto, devo ter feito um dos finais em sprint mais rápidos da minha “carreira”.  Já no no ano passado também tinha terminado esta prova de forma parecida. Depois de passar a linha fui cumprimentar o adversário (também um rapaz novo e bem disposto), pois acho que o meu sprint só foi tão forte porque causa da pressão causada pelo sprint dele.

Acabei a prova com 1h16m04s. No ano passado tinha feito 1h10m42s. Apesar do tempo final não ser grande coisa, a “estratégia” do ritmo calmo ao inicio resultou bem pois não tive nenhuma quebra forte e fiz a prova em crescendo de ritmo. Ainda assim, este tempo foi bem melhor do que o tempo que fiz nos 15 Km das Lezirias no mês passado, embora o percurso e a temperatura tenham ajudado.

No final lá me deram o típico Sino. Desta vez é de vidro, bem mais pesado do que o de porcelana que me deram no ano passado. Claramente uma prova a repetir, nem que seja para poder fazer o sprint final em frente das bancadas… e trazer mais um Sino.

(Seguem-se os 20 Km da Prova Livre da Estafeta Cascais -> Oeiras -> Lisboa…)

Corrida dos Sinos 2011 (Mafra)

Abril 3, 2011

Mais uma estreia da minha parte numa prova clássica do nosso país.

Tive a companhia do Osvaldo (que tem andado meio baldas nestas coisas das corridas) nos 15 Km (“Sinos”) e do Tiago (segunda corrida de sempre e em fins de semana consecutivos) nos 6 Km (“Sininhos”).

Como nunca lá tinha ido, fui investigar o percurso e li numa discussão n’O Mundo da Corrida que aquilo tinha vários quilómetros a descer mas que depois tinha de se voltar para trás e enfrentar as mesmas ruas mas no percurso ascendente.

Portanto a estratégia era ir com calma durante os primeiros dois ou três quilómetros e depois ir ao ritmo normal. Eu tenho pouca experiência em provas de 15 Km pois, até hoje, apenas tinha feito uma. Claramente não queria fazer como nas Lezírias, onde arranquei forte logo ao início, pois nessa corrida o percurso era praticamente todo plano e o de hoje não seria.

Chegádos a Mafra fomos buscar os dorsais. Vi por lá o Luís Parro e o José Magro, que estão sempre presentes 🙂 nestas “festas”.

Após o início da prova comecei a cumprir o meu plano. Fui com o Osvaldo a um ritmo mais ou menos conservador, fazendo dois quilómetros acima dos 5 min / km. Um bocado depois do terceiro arranquei e fui andar um bocado mais rápido.

O percurso era mais ou menos como tinham dito lá no fórum, portanto fiz a descida com calma embora estivesse a fazer tempos à volta dos 4:30 / 4:40 por km. A meio da descida um dos meus atacadores desatou-se. Ainda fiz alguns metros com o atacador solto, mas tinha tanta gente à volta e faltavam muitos quilómetros, pelo que achei melhor apertar aquilo. Encostei, apertei-o e voltei à prova. Continuei a descer em direcção ao ponto de retorno que seria algures aos 8 Km.

Cheguei ao ponto de retorno e procurei por ali umas referências para a subida. Colei-me lá a dois corredores que vinham a falar um com o outro e tinham pinta de quem ia correr bem. Andei vários quilómetros com eles, embora às vezes tivesse de apertar um pouco para os acompanhar. A certa altura, no topo da subida antes da distribuição de água (dos 9 ou 10 Km) eles ficaram para trás, mas apanharam-me novamente já depois da subida.

Algures entre o 10º e o 11º quilómetro fomos alcançados por um outro corredor que ia num ritmo um bocado mais forte. Resolvi ir atrás dele. Fui ficando por ali durante alguns quilómetros, mas houve outra subida para aí aos 13.5 Km onde fiquei um bocado para trás.

Depois dessa subida consegui começar a recuperar terreno. A cerca altura vejo a placa dos 14 quilómetros e percebi que estava a chegar ao parque onde seria o final da corrida. Deu-me aquela força de quem sabe que está quase na meta e comecei a correr mais rápido. Passei pelo corredor que me tinha deixado para trás um bocado antes e ouvi-o a dizer “força”.

Dentro do tal parque reparei que era preciso dar mais uma volta ali dentro antes de ir para o tartan. É lixado quando estamos virados para acabar a prova e ainda temos de ir correr mais um bocadinho :). Olhei para o relógio e percebi que não dificilmente faria melhor do que nas Lezírias. Fiz ali algumas centenas de metros a um ritmo forte mas sem exagerar.

Até que cheguei à pista. A entrada na pista era a descer, o que permitiu ganhar um bocado de balanço.

Na pista começo a fazer a curva e a analisar a concorrência. Vejo um grupo de quatro corredores, que iam com 10-15 metros de avanço, e defini como alvo alcançar pelo menos aquele grupo. E lá comecei a mexer-me um bocado mais rápido em direcção aos mesmos. Nisto, só vejo um corredor desse grupo a sair para fora para fazer um sprint para ultrapassar os outros. E que é que me passa na cabeça naquele momento? Ultrapassar o tal sprinter, claro.

E nisto começo a correr à parva e a fazer um sprint muita parvo para a fotografia e para apanhar o outro sprinter. A certa altura só oiço alguém na bancada a gritar “Vais passá-lo, vais passá-lo!” com grande entusiasmo. E Lá passei o outro corredor.

Uns metros depois cruzei a meta. O Garmin marcou 1h10m42s em 15.19 Km.

Recebi os prémios (onde se destaca um belo Sino… para variar das medalhas) e fui ter com o Tiago, que tinha acabado os 6 Km muito tempo antes. Passado um bocado voltei a ver o José Magro e o Luís Parro. E o Osvaldo, que teve um problema de sangramento do nariz e acabou com a camisola toda cheia de manchas da cor que ocupa mais espaço na bandeira.

Não fiz melhor do que nas Lezírias (1h08m58s) mas o percurso desta corrida era mais complicado, porque causa do sobe e desce. Além disso nas Lezírias acabei todo roto e nesta corrida tive forças para sprintar de forma forte. De qualquer forma fiquei satisfeito com o resultado. E acho que começo a gostar mais de correr 15 Km do que de correr 10 Km.

Tive pena de não ter visto quem foi a pessoa que estava aos gritos quando me viu a sprintar no final. Teria lá  ido lá agradecer aquela “fé” toda no meu sprint :).

PS: Estava por lá a Rosa Mota, que de vez em quando aparece nestas provas populares e anda a dar apoio à malta. Descobri agora que ela é a recordista feminina desta corrida, com 50:11 feitos em 1987 (um record com 24 anos).