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Meia-Maratona dos Descobrimentos (2014)

Dezembro 9, 2014

Há um ano atrás, tinha feito nesta prova o meu melhor tempo de sempre numa Meia-Maratona.

Esta prova é muito rápida (mais de 18 km em linha) e excelente para bater records. Só há um quilómetro a subir e esse quilómetro é compensado por outro a descer.

Estava a apontar para 1h42m, calculados com base no meu tempo da Maratona do Porto, no mês passado. Fazer uma hora e quarenta e dois minutos numa Meia-Maratona, implica correr a 4 min e 50 por quilómetro.

Eu passei a semana anterior no Canadá, a trabalhar, e regressei no Sábado. Ainda estava um bocado cansado da viagem e com o sono meio trocado, pelo que, sinceramente, não me apetecia correr. Como estava inscrito, e como tinha a fezada de que ia bater o meu record, fui à prova. Saí de casa a correr e apenas comi uma maça, o que se revelou um grande burrada (já aqui volto) para quem normalmente come um croissant misto antes das provas.

Adiante.

Antes do arranque, o Rudolfo começou a demonstrar algum interesse em ir atrás da 1h45m. Começou a fazer contas e viu que 1h45 são 5 min por quilómetro, e não parecia intimidado com isso. Um bocadinho antes do arranque, disse-lhe para vir comigo, que fazía-mos 1h45 de certeza. Não gosto muito de decidir estas cenas na hora de arranque, mas acabou por ser uma boa ideia.

Fizemos os dois primeiros a um ritmo mais calmo, e depois começámos a baixar para os 4m50s. Quilómetro após quilómetro, estavamos a correr ligeiramente abaixo do alvo, o que estava a baixar o ritmo médio de forma consistente.

A certa altura deram-me um gel, que eu estava a evitar consumir, porque não conheço a marca, e não queria inventar em prova. Mas a verdade é que já me estava a faltar um bocado de força, apesar de o ritmo se estar a manter mais ou menos constante.

Um bocado antes do ponto de retorno, virei-me para o Rudolfo e disse-lhe “ou vais mandar um grande estoiro, ou estás em grande forma“.

Eu estava em linha para os meus 1h42m. O Rudolfo estava em linha para uma super melhoria, pois o record dele era cerca de 1h58m. Era preciso era chegar ao final.

Eu aqui já estava a sentir a quebra da falta de pequeno almoço, apesar de continuar com um ritmo consistente. Mandei o Rudolfo embora várias vezes, porque me parecia que ele se estava a conter, mas ele disse-me que não estava assim tão bem, e ficou por ali. Combinámos que aos 18 km ele se ia embora, mesmo que eu não conseguisse acompanhar.

Ali entre os 13 e os 14 km, tive mesmo de tirar o gel do bolso. Comi-o. Passados uns minutos, já estava com mais ânimo – resta saber se foi por causa do gel ou do efeito placebo.

Os quilómetros continuam a passar rapidamente e lá chegámos à marca do 18º. Olhei para o relógio e vi que a 1h42m estava feita. Agora era tentar melhorar. Ainda consegui acelerar, tendo feito um dos ultimos quilómetros a 4m31s – o mais rápido desta prova.

Acabei a prova com 1h41m34s.

Curiosamente esta prova acabou por ser muito semelhante à de 2013, na qual fiz uma boa equipa com o Valter. Sem a ajuda do Rudolfo, provavelmente não teria feito este tempo.

O Rudolfo não só não estoirou, como tirou cerca de 15 minutos ao seu melhor tempo. Muito bom. A demonstrar que o treino, feito com cabeça, compensa.

Prova

A prova melhorou em relação ao ano passado: desta vez tinham vários abastecimentos sólidos (gel, marmelada, mel), que era algo que tinha faltado no ano passado.

Meia-Maratona dos Descobrimentos (2013)

Dezembro 30, 2013

Nove meses depois, voltei a fazer a uma prova de atletismo popular…

O meu objectivo para esta prova era simplesmente fazê-la e “testar o pé”. Os treinos que tenho feito, apesar de regulares, têm sido entre 40 e 50 km por semana, o que não é nada de mais para o que estava habituado a correr antes da minha lesão, em Janeiro. Também em termos de distâncias, os treinos não têm sido por aí além, sendo que os treinos mais longos que fiz nos últimos meses foram um treino de 16.5 km (a 3 semanas da prova) e outro de 17 km (a 8 dias da prova). O peso também não anda famoso pois estou com 5 ou 6 kg acima do meu “normal”.

Com tudo isto, estava à espera de fazer 1h50, ou pouco melhor, pois esse era o meu resultado típico em Meias-Maratonas e só o tinha descido significativamente em 2012, no pico dos meus treinos para Maratona, com outro nível de treino em cima e, principalmente, com uma quantidade bem menor de “peso inútil” em cima.

Quando regressei aos treinos, há cerca de três meses, comecei a treinar com um grupo de pessoal da minha zona, que dá pelo nome de “Etiopes e Quenianos“. Estes senhores andaram a puxar por mim numa altura em que andava desmotivado e sem grande vontade de correr.

Acontece que um desses colegas de treino, o Valter, falou-me do seu record pessoal na MM de apróx. 1h50m, e eu achava que o conseguia ajudar a baixar aquilo, mesmo que eu acabasse por dar o real estoiro.

Ora lá arrancámos.

Pouco depois do arranque, uma senhora de idade avançada atravessou-se à minha frente e tive de parar e de a segura para garantir que não a deitava ao chão. Logo aqui a má organização a dar sinal:  faltou ali algum tipo de controlo. Alguns metros mais à frente, voltei a ver várias pessoas a cruzar o pessoal da corrida numa passadeira. Adiante.

Passámos aos 7 km com 35 min certinhos. Contas de cabeça, 35 min * 3 dá 1h45m. Isto já era record para Valter, portanto bastava manter o ritmo  e era escusado arriscar mais. Aos 10 km passámos um abaixo dos 50 min. Estávamos a ganhar tempo. A questão era se o ritmo se ia manter até ao final. Ora este padrão foi-se repetindo com o progredir da distância, e aos 15 km eu já estava convencido que ia-mos mesmo fazer à volta de 1h45m.

Até que passámos ao quilómetro 18, com menos de 1h29m, e com ritmo a oscilar entre os 4m40s e os 4m50s / km. Contas de cabeça: 1h29, faltam 3 km, portanto mais 15 min, o que quer dizer 1h44m, mas estou a gastar menos do que 5 min por km, portanto isto dá para RP… Bora lá. E baldei-me dali para fora. Foram três quilómetros bem difíceis e claro que nas contas de cabeça tinham faltado os 97 metros extra…

Cruzei a meta, parei o relógio, por engano carreguei novamente no botão de “start” e tive de o voltar a parar… reparei que marcava 1h43m55. Um novo RP, mas por apenas 14 segundos.

A página da xistarca até diz um pouco menos (1h43m51), possivelmente à custa de eu só ter parado o relógio depois de passados dois pontos de controlo e por causa da patetice de ter carregar no start novamente… mas adiante, o relógio é que conta.

Claro que tenho de agradecer ao percurso, que é quase todo em linha, à temperatura e também ao Valter (que bateu o seu RP por vários minutos) pois acabámos por andar nos puxar um ao outro.

Tenho de agradecer aos “Etiopes e Quenianos” pois, na fase em que eu andava muito desmotivado, foram uma boa motivação para me fazer sair de casa e correr um pouco mais.

Apesar de ser um record magrinho (14 segundos…), fiquei bem satisfeito por voltar a estar nas redondezas da 1h44m. Para quem passou vários meses lesionados, isto é uma conquista a dobrar. E o melhor de tudo foi que o pé não me doeu ao longo dos 21 km. Isto deixa-me com mais alento para próximos eventos.

Eis a mensagem do Garmin connect…

novo-record-mm-2013

… que acaba por mostrar o mesmo ritmo em ambas as provas, embora com tempos finais diferentes, devido a terem sido medidas distâncias diferentes.

Em relação à prova

Positivo:

  • Para quem quer bater records, este percurso é muito bom, devido aos seus 18 km em linha.

Negativo:

  • Aquela longa reta de Belém até St. Apolónia é a real seca. O percurso é bom para bater records, mas não o achei divertido.
  • Mau controlo da multidão.
    • Houve várias partes do percurso em que as pessoas cruzaram a corrida. Particularmente perigoso ao início quando está muita gente junta.
  • Não houve abastecimento sólido a meio da prova. Nem fruta, nem marmelada… nada.

Segue-se a São Silvestre da Amadora, para fechar o ano, como de costume.

Meia-Maratona da Nazaré (2012)

Novembro 18, 2012

Estive presente na 38ª edição desta que é a mais antiga Meia-Maratona realizada em Portugal (facto que leva a que lhe chamem “a Mãe de todas as meias maratonas”.

Esta foi a prova na qual participei e que implicou um maior deslocamento (e também uma maior despesa, porque passei o fim de semana na Nazaré). Tudo começou quando o meu amigo João resolveu treinar para uma Meia-Maratona e a prova que mais perto estava do final do plano dele era a Meia da Nazaré. Como eu ainda não tinha feito nenhuma Meia-Maratona neste período de treino para a Maratona, decidi juntar-me na viagem até à Nazaré.

Fomos no Sábado para a Nazaré.

A falta de prática nisto das provas já se vai notando e nem me lembrei de meter alfinetes d’ama no saco.
Então lá andámos nós à procura de alguma loja que vendesse tal material, com receio de não arranjar-mos no dia da prova. Lá encontrámos uma loja que os tinha, e onde a vendedora nos disse “hoje e amanhã só se vende é disto“.

À noite fomos buscar os dorsais ao Cine-Teatro, que pelos vistos também é o cinema. E fiquei com ideia que também é o casino. No saco do dorsal vinham alfinetes d’ama… 🙂

A prova

Eu ia à Nazaré para bater o meu record pessoal, porque sentia que estava capaz de o fazer e porque precisava de fazer o melhor tempo possível, para ter uma referência realista para a Maratona. Apontei para um ritmo médio abaixo de 5m10s / km, com os três quilómetros iniciais acima disso para aquecimento e porque já sabia que haveria uma longa subida que começava antes do segundo quilómetro.

Lá cumpri o plano durante os primeiros dois quilómetros, mas mas depois apercebi-me de que o ritmo (perto dos 5:05 por km) estava a sair sem grande esforço. Decidi que ia manter aquele ritmo (um bocado abaixo do que tinha planeado, mas não muito). A certa altura comecei a achar que na segunda parte da prova seria capaz de fazer alguns quilómetros abaixo dos 5m / km.

Fui mantendo o ritmo e os quilómetros foram passado. Fui passando pelas zonas de distribuição de água e, além da água, estavam a dar esponjas molhadas – e nem sequer estavam a ser forretas (deram-me sempre 2 nos vários pontos).

Chegado ao ponto de retorno, por volta dos 12.5 km, e despachada a subida mais complicada da prova, estava na altura de voltar para a Nazaré. Foi aqui que começou o meu embalo para o final, pois aproveitei a descida para ganhar velocidade.

Estava um vento contra muito forte, mas eu estava com força e com vontade.

Aquele vento meio-de-frente, meio-de-lado deve ter estoirado com muita gente. Aos 13 km já se notava que estava muita gente a quebrar e não havia quase ninguém num ritmo que me agradasse e que me fizesse querer ficar com essa pessoa – tirando um senhor ao qual até ofereci uma das esponjas que me deram. Eventualmente esse senhor também começou a ficar para trás, e lá fui eu para outra ilha e assim andei durante um bocado.

Aos 17 km começo a sentir a porra da dor de burro. Nesta altura juntei-me a um pequeno grupo de três atletas e fiquei ali ao pé deles para controlar o meu próprio ritmo enquanto recuperava da dor. Comecei a massajar a zona e passou num instante. Menos um susto, mas estava a começar mais uma subida. Era a segunda passagem no viaduto. Eu continuava com força. Feita a subida, estava na hora de descer e recuperar mais um pouco.

Aos 18 km olhei para o relógio, que marcava 1h30m. Fiz umas contas de cabeça, mas já estava meio baralhado… a brilhante conta foi algo do género:
“1h30 + 4 km, portanto + 20min, portanto 1h50”
achei um bocado estranho, pensei melhor e lá me lembrei que dos 18 para os 21 são 3 e não 4:
“portanto 1h45”
claro que também me estava a esquecer que estava a rolar abaixo dos 5 min/km. Mas 1h45 já era um senhor record, pelo que estava super motivado para manter aquele ritmo.

Tinha agora um “colega” pendurado que estava a usar-me como escudo anti-vento e como reboque. Decidi que me ia embora dali.

Passo pelo chuveiro (sim, havia um par de chuveiros a meio do percurso) penso se “vou ou não vou” e passo ao lado. Não valia a pena, já estava muito perto.

Estava-me a custar muito manter aquele ritmo, já ia de dentes serrados.

Vejo o primeiro balão (o da partida) e recupero algum alento. Falta pouco. Já se via o segundo balão. Já agora aguenta-se o esforço e o record vai ser ainda mais simpático. Chego ao segundo balão e oops, afinal ainda não é aqui. Falta mais um bocado. Relaxo durante uns metros até perceber onde era a meta, para voltar a apertar um pouco depois.

(Ao cruzar a meta levei umas bocas por ter ultrapassado algum pessoal nos últimos metros. Não percebo esta malta.)

Cheguei ao final. O relógio marcava 1h44m09s – um novo record pessoal. Pela primeira vez tinha feito uma Meia-Maratona abaixo da 1h50m. Não só tinha batido o meu RP, como tinha tirado mais de 6 minutos ao tempo anterior (1h50m45s feito em Setembro de 2011).

No saco estava uma medalha, um bonito prato de porcelana alusivo à prova, um bolito regional (bem bom) e mais algumas coisas. Mas é claro que o record foi a melhor prenda que trouxe da Nazaré.

Esperei pelo João e depois fomos para a praia, onde molhei as pernas na água gelada da Nazaré, para tentar apressar a recuperação. Passado um pouco, uma daquelas ondas malucas trouxe-me de volta para a costa…

Passadas umas horas voltámos para Lisboa. Estava bem alegre e com um sentimento de dever cumprido. O meu trabalho dos últimos três meses (na realidade já vão sendo cinco) estava a ser recompensado.

O impacto da prova na população

Uma coisa que me apercebi durante este fim de semana foi o impacto que esta prova tem na economia local. A Nazaré é uma zona turística, à beira-mar, que provavelmente é mais frequentada no verão. Durante este fim de semana vi a Nazaré cheia de gente de fato de treino ou com ténis ultra coloridos. Pareceu-me realmente algo importante para a região, ao contrário de muitas provas (mesmo as mais populares) em que costumo participar. Algo a ter em conta em futuras escolhas de provas.

Deixo já a promessa que, em 2013, repito a visita à “Mãe de todas as Meias-Maratonas em Portugal”. Pode ser que a Mãe me dê outra prenda :).

Para quem estiver na dúvida: vale a pena ir a esta prova, principalmente para quem gosta de provas sem confusão e onde a enfase está na corrida e não na “festa”. Partida sem confusões, pormenores interessantes (chuveiros e esponjas), percurso e cenários variados e até havia sardinhas gratuitas para os corredores (mas era preciso ir à casa do benfica e isso já é pedir demais de mim :p).

Meia na Areia (Costa da Caparica, 2012)

Maio 6, 2012

Hoje fui até à Costa da Caparica para participar, pela primeira vez, na Meia-Maratona na Areia. Esta prova é organizada pel’ O Mundo da Corrida e tem boa fama (“por corredores, para corredores” e essas coisas). Era para lá ter ido em 2011, mas, por alguma razão que agora não me lembro, acabei por não ir. Este ano não quis deixar passar a oportunidade e inscrevi-me atempadamente.

Nunca tinha corrido grande distância em areia de praia. Já tinha feito alguns treinos em que passei alguns metros em areia de praia e já tinha feito algumas corridas em dias de praia, mas acho que nunca tinha feito um quilómetro sequer seguido em areia de praia. Por esta razão, não tinha grandes expectativas e ia lá para ver como era correr em areia.

Chegado à Caparica fui buscar o dorsal. No saco do dorsal vinha uma t-shirt técnica alusiva à prova, o dorsal (feito de um material mais rijo do que o normal) e o chip preso ao dorsal.

O tempo estava agradável e não havia sinal do vento que eu tinha lido que às vezes aparece naquela zona.

Deram o arranque e lá fui eu à descoberta da areia. A partida é feita numa zona em que a areia está seca e muito mexida, o que causou alguma dificuldade de locomoção. O pelotão rapidamente se deslocou para a zona da areia molhada e compacta, e a partir daí as coisas ficaram mais normalizadas.

Já me tinham dito que, como a areia está molhada, a coisa parece estrada mas… era um bocadito para o diferente. Ainda ia no primeiro quilómetro e começa-me a doer a parte da frente da perna. Parecia que o “feedback” que a perna recebia do chão era diferente do costume. Estava a correr à volta de 5m30s/km mas ia em esforço. Até parecia que estava a correr em trilhos.

O pelotão não demorou muito tempo a partir-se aos bocados.

Andei durante muito tempo a correr à volta dos 5:20 / 5:30 (min/km).

Quando estava a chegar aos 10 km, comecei a ver alguns corredores a correr na minha direcção. O engraçado foi que o pessoal estava totalmente espalhado no areal: uns mais junto à água, uns mais para cima. Nunca tinha visto tal coisa numa prova (normalmente, em estrada, as vias encontram-se bem definidas).

Uma coisa muito boa desta prova é a envolvente: azul imenso de um lado, verde do outro lado. No meio estava a areia castanha que era a coisa chata e que impedia a progressão. Em termos de envolvente acho que esta é das provas mais bonitas em que já participei, a par com o Grande Prémio “Fim da Europa” (que este ano não se realizou por razões financeiras).

Passei aos 10 Km com 55 minutos. Apanhei o abastecimento líquido mas nem vi que também lá havia bananas e laranjas (grande falha minha). Depois da marca dos 10 Km ainda se percorreu alguma distância na mesma direcção, até chegar ao ponto de retorno. Para retornar era necessário fazer uma curva para entrar numa zona que implicava entrar na areia mole. Ou seja, estava a tentar curvar em areia mole sem perder velocidade. Não caí mas aquilo foi um bocado atabalhoado.

Voltando a passar na zona dos 10 km lá reparei na fruta e lembrei-me que tinha marmelada no bolso, portanto desatei a comer um cubo. Já há muito tempo que não comia cubos de marmelada durante uma corrida.

Se antes de fazer a primeira metade da prova já tinha notado que o pelotão estava um bocado partido, no regresso a coisa ainda parecia “pior”, com muitos corredores a correr a solo.

Ia olhando para o relógio e estava-me a parecer que o regresso estava a ser ligeiramente mais fácil. Talvez o terreno estivesse melhor, talvez fosse o corpo a pedir mais velocidade. Não sei ao certo. Eu estava a fazer melhores tempos do que na primeira metade, portanto fui passando algumas pessoas. No entanto continuava a ser cansativo progredir naquele terreno.

No abastecimento dos 15 km aconteceu uma coisa meio tola: algumas pessoas ficaram paradas à volta da mesa de abastecimento, o que fez com que fosse preciso parar para conseguir apanhar água.

Um pouco depois passei numa das tendas da organização (acho que era o 5º km) e estava por lá o José Magro que me reconheceu e puxou por mim. Costumo ver o José nas provas, mas normalmente é a correr. Desta vez ele estava de “serviço” à prova.

A certa altura olho em frente e vejo que à minha frente é só areia e banhistas, pelo menos durante uns 50 metros. Mais ao longe via alguns corredores, mas só me passava pela cabeça que “nem pensar que eu consigo apanhar aqueles, a não ser que quebrem imenso”.

Nos 19 km olhei para o relógio: ia abaixo de 1h44m, portanto com algum esforço extra ainda dava para fazer abaixo da 1h55m. Comecei a meter mais algum ritmo. Os dois últimos quilómetros foram os mais rápidos que fiz na prova (do 19º ao 20º em 5:15.5 s e do 20º ao 21º em 5:00.9 s). Neste bloco ainda apanhei alguns corredores (afinal era possível) e pareceu-me que estavam todos em quebra, até porque acho que ninguém tentou sequer aproveitar a (minha) boleia…

Para chegar ao final era necessário voltar a subir para a zona da meta que, como referi anteriormente, era na areia mole. Lá fui subindo e a vontade de sprintar apareceu. Mas como é que se faz um sprint naquela areia maluca? Já estava com dificuldades só para me equilibrar… e lá cruzei a meta, cansado mas satisfeito.

No final o relógio marcava 1h50m40s. Este foi o meu pior tempo numa meia-maratona, mas o facto de ser na areia torna a prova mais difícil do que uma meia de estrada.

Como prémio de participação foi entregue uma caneta alusiva à prova.

Organização

A organização em geral esteve bem e viram-se coisas boas e diferentes:

[+] os dorsais rígidos são muito melhores do que os habituais, que se costumam estragar com a água que cai (relevante para quem os colecciona);

[+] Chip preso ao dorsal, o que facilita a sua devolução no final sem ter de estar a desapertar os sapatos quando já nem há força para os voltar a apertar.

[+] No final da prova havia abastecimentos sólidos e líquidos de vários tipos, com algumas coisas que nunca tinha visto nas outras provas (p.e. muesli e batatas fritas).

Tenho alguns pequenos reparos:

[-] Água em copos – pessoalmente achei que era pouca água. Eu costumo ficar com as garrafas e levar as mesmas e ir bebendo durante algum tempo. O facto de ser em copos largos também não ajudava, pois acabava por sair muita água com o balançar da corrida. Sei que a intenção da organização era evitar garrafas espalhadas pela praia, portanto isto acaba por não me chatear muito.

[-] Pessoal parado nos ponto de abastecimento dos 15 Km a impedir que se chegasse à água. A atitude é das pessoas, mas a organização podia pedir-lhes para terem em conta que estão numa corrida.

No geral o balanço é bastante positivo e é uma prova que espero repetir.

Meia-Maratona de Portugal (2011)

Setembro 25, 2011

Participei hoje, pela primeira vez, na Meia-Maratona de Portugal. A prova tem início “a meio” da ponte Vasco da Gama, vai junto ao rio até St. Apolónia e depois regressa para a zona da Expo ’98.

Em geral, a organização funcionou bem. Assim que cheguei ao Vasco da Gama (pouco antes das 8h30)  não esperei sequer 5 minutos para entrar no autocarro. Chegados à ponte, só tive de fazer uma pequena caminhada até à zona de separação que permite às pessoas da Meia-Maratona começarem a prova colocadas à frente das pessoas da Mini. Até aqui tudo bem. O único senão foi o tempo de espera: passar uma hora de meia ao sol em cima da ponte é um bocado aborrecido.

Estas provas com muita gente são sempre uma confusão nos primeiros quilómetros. Vi muito pessoal a ultrapassar no meio da molhada, sem nenhum cuidado com quem vem atrás…

Havia bastantes abastecimentos, a começar com o primeiro logo aos 3 Km. Infelizmente, a certa altura, a água e bebidas-coloridas que estavam a ser distribuídas já estavam quentes. De qualquer forma estava imenso calor, pelo ingeri líquidos que nunca mais acabavam. Penso que foram 6 garrafas de água e 3 garrafas das bebidas coloridas… acho que nunca bebi tanto numa corrida. Além disso ainda ingeri dois pedaços de banana e um quarto de laranja, que juntei aos meus dois cubos de marmelada…

Entre o 19º e o 20º Km fiquei com uma dor de burro, que me obrigou a reduzir um bocado o ritmo. Não sei se foi efeito da quantidade de abastecimento que usei…

Eu tinha apontado para algo entre 1h47 e 1h49, mas ainda não foi desta. O Garmin diz que fiz 1h50m45s, o que é um novo record pessoal, mas com apenas menos 9 segundos do que o meu record anterior (embora este percurso seja menos fácil do que o percurso da Meia-Maratona de Lisboa onde tinha registado o record anterior).

Sugestão

A única coisa que mudava nesta prova era a hora de início. Uma prova que começa às 10h30, num dia de céu destapado, faz com que qualquer pessoa que demore mais do que uma 1h30m a fazer a prova, apanhe com o sol do meio-dia. Ainda por cima a prova é toda à beira do Rio Tejo… Será que não se podia começar a prova um bocado mais cedo (às 9h30, talvez) para se fugir ao calor?

Adenda

O Luís foi a esta prova fazer uma Meia-Maratona pela primeira vez. O engraçado é reparar no máximo que ele tinha corrido de uma só vez até hoje: dois treinos de 15 km feitos nos últimos 10 dias. Ainda assim, conseguiu correr até aos 19 Km antes de ter de se meter a andar e depois ainda voltou a correr no quilómetro final… 🙂

Meia-Maratona de Lisboa (2011)

Março 20, 2011

Mais uma vez  a sair da cama às 6h30 para chegar ao Pragal cedo e conseguir partir sem problemas. Estive para não ir porque ontem passei o dia mal do estomago e não queria ter uma “emergência” em cima do tabuleiro… mas acabei por arriscar.

Já fui várias vezes a esta corrida mas foi a primeira vez que participei na Meia-Maratona. Convencido que ia estar a humidade do costume do lado de lá, levei uma t-shirt por baixo da t-shirt da corrida. Mas desta vez nada de humidade. Esteve sempre bom tempo.

Percurso da Meia-Maratona de Lisboa

Esta corrida tem sempre um mar de gente a participar, apesar de ser uma prova cara. A maioria das pessoas vão para a Mini, mas mesmo assim o número de participantes na Meia é muito grande. Há muitos estrangeiros, que vêm atrás do chamariz “Ponte”. Isto faz com que haja alguma confusão. Quando participei na Mini era um ver se te avias para conseguir arranjar um sítio decente para arrancar.

Hoje, na zona do “garrafão” da ponte, o pessoal da Meia foi separado de forma a partir na zona à frente do pessoal da Mini. Este grupo de pessoal da Meia foi depois alinhado a cerca de 50 metros da linha da partida e foi daí que se começou a correr quando foi dado o sinal de Partida. Isto acontece porque existe um outro grupo que parte mais à frente, mesmo na linha da partida. Pensei que este grupo fossem atletas com certos tempos, mas também havia algum pessoal com dorsais da Mini a passar para essa zona… Ouvi falar em dorsais “VIP”… vá-se lá perceber.

Na minha zona também estava uma rapariga que, pelo que percebi sem ter visto o dorsal dela, ia fazer a mini. E ia fazê-la com uma mala de senhora ao tiracolo. A rapariga estava preocupado que o pessoal quando começasse a correr fosse muito depressa e a atropelasse. Pudera :p

(Eu acho bem que as pessoas participem nestas coisas mesmo que não corrram, porque muita gente que hoje fez a “mini da ponte” a andar e daqui a uns tempos pode estar mesmo a correr e a fazer corridas de 10 Km todos os meses, o que é positivo. Mas o pessoal devia evitar meter-se em zonas para as quais não tem pedalada.)

Deram o arranque e lá foi o pessoal todo em carga, em direcção à ponte. Nisto só vejo um grupo de três senhoras de idade, que iam lado-a-lado, a desviar-se do pessoal que ia todo a correr em carga. Não sei se as senhoras tinham dos tais dorsais “VIP”, mas sei que estarem ali podia ter dado em problemas…

A meio do tabuleiro olho para o lado direito e estava um artista a unirar pro Rio Tejo… Será que foi lá de propósito para fazer aquilo ? 🙂

Consegui passar o tabuleiro todo sem nenhum zigue-zague. Muito fixe e só foi possível porque ia na Meia-Maratona. No ano passado, na Mini, eu e o Osvaldo fizemos aquela coisa em zigue-zague e tivemos de saltar o separador central várias vezes.

Em Alcantâra, depois do primeiro abastecimento de água, o pessoal foi para a esquerda, em direcção ao Cais do Sodré. Neste abastecimento enfiei uma garrafa de água no bolso. E que jeito veio a dar…

O retorno foi feito um pouco depois da zona da Praça do Comércio. Na volta, um calor desgraçado. O Sol estava a ficar alto e não ia dar perdão.  Passei aos 10 Km com 50:40 (min). Até estava dentro do objectivo. O pior foi um bocado mais à frente.

Ao 13º veio a minha quebra. Até aqui tinha feito todos os quilómetros (excepto o primeiro) abaixo dos 5:10 (min/km). O 13º fiz em 5:17 e o 14º em 5:19.

Por volta do 15º passou-se em frente à zona da meta. Por esta altura eu já pedia chuva :). Mais um quilómetro feito em perca: 5:25 (min/km).

Mais ou menos aos 17.5 Km aparece o abastecimento de comida. Laranjas e bananas. Peguei em meia laranja e comi aquilo. Achei que podiam ter feito esse abastecimento um pouco antes (mais perto do 15º Km). Parece-me que nessa altura teria feito mais diferença. Continuei em frente, e continuei a quebrar o ritmo. Ia-me tentando colar a pessoas, mas todos os que ia apanhando estavam em quebra ainda maior que a minha. Estava difícil.

O novo ponto de retorno foi ali na zona de Algés. A partir daí senti que a prova estava praticamente feita. Mas tinha as pernas muito pesadas.

O 18º Km foi feito em 5:31, o 19º Km foi feito a 5:42 (min/km) e o 20º em 5:36.

Algures por aqui, mais meia laranja. A certa altura, o vento resolve aparecer e o boné que me tinham dado voou para trás. Não parei para o recuperar e ainda bem. Ainda ficava por ali.

No 21º puxei um bocado mais e consegui recuperar ligeiramente, tendo-o feito a 5:10 (min/km) mas já era tarde demais…

Tempo final 1h50m54s. É record pessoal pois foi melhor tempo do que a minha meia-maratona anterior, mas estava à espera de muito melhor: o meu objectivo era 1h45m.

Acho que este tempo de hoje, para a prova que é, com quase três quilómetros a descer, é fraquito. E também acho que estou a valer mais do que isso à Meia-Maratona. Os meus tempos dos 20 Km de Cascais e das Lezírias pediam outra prestação nesta meia… Os problemas de estômago não ajudaram. Faltou-me aquela força e energia que costumo ter. Talvez me devesse ter contido mais nos quilómetros iniciais. Se calhar devia ter levado uns cubos de marmelada 🙂 para comer depois da primeira metade da corrida. Não sei.

De qualquer forma, gostei da prova. A separação do pessoal da Meia e da Mini foi feita bem, tirando casos particulares de pessoal que se conseguiu infiltrar. Havia muita água e bebidas isotonicas ao longo do percurso. E ainda bem, porque passei a prova toda a destilar. Sempre que passava num ponto de abastecimento, trazia uma garrafa de água e a mesma não durava muito. Até bebidas isotónicas eu bebi e é muito raro eu beber disso…

Estou com a testa toda queimada do Sol. Devia ter feito a barba: teria ficado com alto bronze :).

(E agora é descobrir quando será a próxima meia, para ir lá tentar baixar este tempo.)

PS: Já não é a primeira vez que penso nisto. Nesta corrida há sempre montes roupa que fica no garrafão. Camisolas, calças e outras peças de roupa que o pessoal leva e que depois resolve abandonar quando fica melhor tempo. Não sei se esta roupa está a ser aproveitada de alguma forma, ou se está a ir para o lixo. Caso esteja a ir para o lixo, podia ser aproveitada, após limpeza, para dar aos sem abrigo… fica aqui a ideia.

A minha primeira meia :)

Dezembro 5, 2010

Background

Há cerca de um mês escrevi um post aqui no blog intitulado “Entretido a pensar em fazer uma meia-maratona“. Nessa altura andei a pesquisar por provas, perto de Lisboa, com a distância de meia-maratona. A minha ideia era fazer a meia-maratona em Janeiro ou Fevereiro, pois isso dar-me-ia tempo para treinar de forma confortavel para a mesma. No entanto, a únicas provas de meia-maratona seriam a de hoje e a Meia-Maratona de Lisboa em Março. Não me apetecia nada esperar até Março mas também não sabia se estaria pronto para os fazer já em 2010.

A vida ensinou-me (e recentemente lembrou-me) que às vezes não podemos esperar até estarmos muito confortáveis, pois corremos o risco de perder algo importante enquanto esperamos. Começou-se então a formar na minha cabeça a ideia de que poderia (ou melhor, deveria) ir a estra prova. O facto de ter andado a ler o primeiro livro do Dean Karnazes também não ajudou a ter juízo :p.

Ia ter cerca de três semanas para treinar. Peguei num plano de treinos (orientado para 5 semanas), adaptei-o à padeiro (para as 3 semanas que eu iria ter). Fui cumprindo o mesmo mais ou menos, embora, à posteriori, tenha chegado à conclusão de que o plano era muito ambicioso (em termos de quilometragem semanal) para aquilo a que eu estava habituado. Acabei por preferir pausar quando estava cansado, fugindo ao plano sem sentimentos de culpa.

Prova

Chegado o dia da prova, fui para a zona de partida, perto de Santos.  Estava um pouco nervoso, confesso. Tinha lido que o limite de tempo para prova eram 2h15min. Eu estava a apontar para as 2h00m, mas nunca se sabe o que pode correr mal – uma dor-de-burro, uma queda, mau tempo…. diversos factores que podiam até fazer com que não chegasse ao fim da distância. Eu tinha dois pacotes de açucar no bolso para o caso de precisar de “acordar” a meio da corrida. Se não precisasse deles, melhor, mas estava a pensar que lá para os 15 ou 17 Km iria precisar de comer algo.

A certa altura fomos avisados que estaria de perto a passagem dos atletas da Maratona ali pela zona. Lá foram passando os primeiros, com passadas e formas impressionantes. O pessoal da meia-maratona batia palmas à passagem de cada pequeno grupo de maratonistas.

Passados alguns minutos mandaram o pessoal da meia-maratona chegar-se para a zona da partida. Lá fui. À minha volta havia tantos estrangeiros como portugueses, principalmente espanhois. Mas também havia muita gente de pele clara e cabelo loirinho que pareciam ser de outras bandas.

Foi dada a partida e lá fomos para fazer os 21097.5 metros da prova.

Eu tinha pensado em correr à volta dos 5:30 ou 5:40 (min/km) durante pelo menos uns 10 ou 15 Km, para evitar ficar cansado ou sem reservas muito cedo. Nas provas existe sempre alguma adrenalina que faz com que se vá um bocado mais rápido, o que se for feito demasiado cedo pode fazer com que o cansaço chegue muito antes do final da prova. Portanto, ao contrário do que faço em 10 Km, eu estava a impor a mim próprio um ritmo lento, com a ajuda do Garmin. De vez em quando lá reparava que ia mais depressa do que o objectivo (tipicamente porque tinha colado a alguém) e abrandava um pouco o ritmo.

Estava algum vento contra, o que dificultava a tarefa. A certa altura eu ia a correr ao lado de senhor que se “encaixou” entre dois corredores mais altos, que de certeza que lhe estavam a tapar o vento todo. O homem ia tão em cima dos outros que se arriscava a bater com o nariz num dos da frente :p.

Por volta do 5º quilómetro fiquei com uma pequena dor num joelho. Felizmente não demorou a passar.

A prova tinha um retorno por volta dos 6.500 m (antes de chegar a Algés). Nesse ponto de retorno corri um bocado mais depressa e separei-me do senhor-que-corria-encostado-aos-da-frente. Passados alguns minutos passei por uma rapariga que ia a correr com uns Vibram Five Fingers. Lembrei-me que ando a pensar em comprar uns e continuei pra frente.

Quando passei aos 10 Km lembrei-me que é por ali que costumo ficar. Mas desta vez ia um pouco mais longe 🙂 e estava-me a sentir bem. Estava a conseguir controlar o ritmo e isso era meio caminho andado para conseguir acabar a prova. Prova disso foram os 55/56 minutos com os quais passei aos 10 Km (mais 11 minutos do que nos 9.5 Km da prova de Domingo passado).

Na estação de abastecimento agarrei numa garrafa de água e num cubo de qualquer coisa alaranjada que por ali estava enrolado em plástico. Pensei que seria marmelada, mas não tinha certeza. Foi pro bolso pois ainda era cedo para estar a recorrer a comida.

Continuei a correr e na estação seguinte arranjei mais um cubo daqueles.

Na zona do Cais do Sodré havia algum público a apoiar os corredores, o que me fez andar um bocado mais rápido durante alguns metros :p. Um pouco mais à frente, aos 14.500 m comi o primeiro cubo alaranjado: era mesmo marmelada. Epá aquilo era bom e veio mesmo a calhar.

Chegado ao Martim Moniz, onde estava o 15º Km, era altura de subir. E também era altura de andar mais rápido, se queria fazer um bocado abaixo das 2 horas, pois estava à volta das 01h23min. Os próximos 6 Km tinham de ser feitos em cerca de 25 minutos, para conseguir chegar antes das 2 horas.

Esta subida era a parte complicada do percurso da meia-maratona, que até ali era praticamente todo plano. Mas, depois de 15 Km planos, fazer 6 Km a subir poderia ser um problema, porque não estou habituado a estas distâncias. A meio da subida lá comi o outro cubo, para ver se o efeito era algo estilo poção Mágica do Druída da aldeia do Asterix e do Obelix. Adiante. Subir aquilo custou-me principalmente porque ia a puxar muito, para tentar recuperar o tempo…

Chegado ao Areeiro a subida parou e transformou-se em recta, com cerca de 200 metros. Já me ia a custar manter aquele ritmo mas estava tão perto – só faltavam 3 ou 4 Km. Já dava para perceber que ia ficar abaixo das 2 horas. No final da recta, nova subida, desta vez até ao cruzamento com a Av. dos Est. Unidos da América. Aqui o terreno passou a descer, até ao cruzamento com a Av. Rio de Janeiro, onde fica o Estádio 1º de Maio. Aproveitei o embalo da descida para entrar forte na recta que me levaria à porta do Estádio.

Quando entrei no estádio 1º de Maio estava à espera que a meta fosse logo ali, porque ontem quando tinha ido buscar o dorsal o balão estava a uns 15 ou 20 metros do portão. E eu estava a contar que ele aí estivesse, porque já vinha a precisar de acalmar o ritmo. Quando vi que o balão não estava lá no mesmo sítio e percebi que ainda tinha de ir para a pista do atletismo…  pensei que já me tinha lixado com aquela brincadeira. Mas pronto, lá segui para o tartan, encostei à linha de dentro, fui ultrapassado por um senhor, voltei a ultrapassar o mesmo senhor uns 30 metros mais à frente… e passei a meta. Estava feita!

Tempo final: 1 hora, 54 minutos e 16 segundos.

Fiquei muito contente com a prova. Consegui conter-me durante a primeira metade, consegui correr mais forte no último terço. Consegui fazer a minha primeira meia-maratona, sempre a correr e abaixo das 2 horas. Algo que acho curioso sobre a forma como a prova me correu foi que nem dei pelo tempo a passar. Quase duas horas a correr, sempre entretido.

PS: bem-ditas as subidas que fiz nos treinos. Se não treinasse em subidas não sei como tinha feito do 15º ao 21º Km.

PS2: Já estava com vontade de aumentar a distância que corro confortavelmente e agora ainda tenho mais vontade.

e

Porque 10 KM?

Abril 6, 2010
Além de ser um número redondo, existem outras razões para me ter proposto a ter um tempo de jeito aos 10 KM.
A razão principal é o facto de eu gostar de correr os 10 Km – não sei bem porquê… mas agrada-me muito essa distância.
Além disso, 10 KM é uma distância que:
  • consigo correr sem grande desconforto físico – se bem que às vezes não parece :p;
  • consigo correr em menos de uma hora, o que faz com que me seja fácil arranjar tempo para treinar – evitam-se as desculpas :);
  • muitas provas de estrada populares têm – a atitude em provas é outra, mesmo sabendo que não vou ganhar;
  • acho que é equilibrada (nem muito curta, como seriam os 5 KM, nem muito longa, como seriam os 21.1 KM da meia maratona);
  • quero “conquistar” (i.e. ter um bom tempo) antes de pensar noutro tipo de distâncias…

Olhando para a lista, parecem-me razões tão boas como outras quaisquer… 🙂

Boas corridas!